Lançamento de Retrofuturismo

A Tarja Editorial anunciou o lançamento da antologia Retrofuturismo – Um compêndio do Comendador Romeu Martins sobre as variantes do punk e suas associações inimagináveis. Marque na agenda:

retrofuturismo

Organizado por Romeu Martins, o livro reúne contos em que diversos tipos de tecnologia surgem de modo retroativo na história. Quando fui convidado para participar do projeto, e com oportunidade de escolher um dos gêneros punk, decidi pelo atomicpunk. A escolha se deveu ao meu interesse pelo cenário do pós-guerra nos Estados Unidos,  o fascínio pela energia atômica, a Guerra Fria travada com a URSS e a corrida espacial entre as duas potências mundiais. Mais do que isso, era a oportunidade de contar uma história policial com um certo tom noir, com seus “heróis” cheios de defeitos e tramas fatalistas.

Assim, A morte nos espreita do espaço enquanto aguardamos o apocalipse nuclear tem como pano de fundo o início dos anos de 1960 – mais precisamente a Crise dos Mísseis que, no nosso mundo, por pouco não levou a uma nova guerra mundial. Já o título longo se refere às machetes sensacionalistas das men’s adventures magazines, revistas populares que traziam contos cheios de ação em cenários exóticos, além de ensaios sensuais com mulheres. Direcionadas ao público masculino, foram o elo entre os pulps do período entreguerra e as revistas adultas como Playboy. As capas chamativas eram uma atração à parte.

Segue um trecho do conto:

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De pé e no centro do porão, Harry Weeks observava dezenas de beldades seminuas – loiras, morenas, ruivas e orientais, a maior parte vestindo maiôs, biquínis, lingerie ou roupas rasgadas que escondiam o mínimo das partes pudendas. Eram mulheres presas por correntes ou cordas, algumas amordaçadas, outras gritando, submetidas a todo tipo de maltrato por parte de seus brutais agressores – fossem eles soldados soviéticos, nazistas, chineses, mercadores árabes de escravas, piratas ou índios -, enquanto aguardavam que homens caucasianos e de músculos à mostra viessem salvá-las.

 True Men, Stag, Man’s Conquest, Real Adventures: estes eram os títulos daquelas revistas masculinas de aventuras, herdeiras dos pulps dos anos 30, cujas chamativas capas ilustradas com mulheres em perigo cobriam as quatro paredes do porão. As histórias de sujeitos viris enfrentando diversos perigos ao redor do mundo entulhavam as bancas com tramas das mais variadas: desde incursões exóticas nas selvas (“Confrontei os canibais famintos na Ilha da Morte!”, dizia a manchete de uma) até aventuras sensuais no alto-mar (“Ataque das piratas selvagens!”), passando por histórias da Segunda Guerra Mundial (“O dia em que invadimos o palácio de Hiroíto!”). Com uma olhada rápida, Harry verificou que as centenas de capas datavam de 1950 até uma edição mais recente com Julho de 61 estampada nela. Pelo visto, seu amigo Walt era dono de uma extensa coleção.

– Ele está obcecado. –  disse a esposa do homem que salvou Harry em Hiroshima.

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Espero vê-los no dia 7!

Lançamento de Sherlock Holmes – Aventuras Secretas

Neste sábado, 04/02, às 15h:30, ocorre o lançamento paulistano desta antologia que tem organização minha e de Carlos Orsi, reunindo oito contos que prestam tributo ao  personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle.

Ao publicar as aventuras de Sherlock Holmes em 1887, Doyle não imaginava que fixaria no imaginário mundial o arquétipo do Grande Detetive, aquele investigador às vezes um tanto nerd capaz de solucionar os crimes mais misteriosos. E muito menos que, nos 125 anos seguintes, Holmes ultrapassaria as fronteiras das páginas dos livros e se faria presente no teatro, cinema, rádio, jogos de tabuleiro e videogames, de tal forma que o detetive se tornaria não só um ícone cultural mas também um gênero em si mesmo, com direito inclusive a subgêneros.

Assim, encontramos histórias com Holmes e o Dr. Watson ao lado de personagens históricos ou da ficção da época; outras estreladas por Joseph Bell – o médico que serviu de inspiração para a criação do detetive  – e Conan Doyle, fazendo o papel de investigador e de seu ajudante; tramas que mostram Holmes aposentado e longe da Rua Baker (sem dúvida inspiradas pelo conto His Last Bow) ou as que relatam suas aventuras durante o Grande Hiato, os anos em que Holmes esteve “morto”.

Em Sherlock Holmes – Aventuras Secretas, você vai encontrar exemplos desses subgêneros neste projeto do qual me orgulho, não só por ser meu primeiro trabalho do tipo, mas também por compartilhar a organização com um dos melhores escritores brasileiros e contar com os textos de um excelente time de escritores, bem como o apoio de Erick Santos  na edição e no belíssimo projeto gráfico do livro.

O lançamento será na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, nº 509 –  a partir das 15h30, com a presença de Carlos Orsi, Rosana Rios, Octavio Aragão. Espero vê-los por lá!

Do release:

Em Sherlock Holmes – Aventuras Secretas, o maior detetive de todos os tempos retorna para desvendar novos casos, trazidos por um seleto time de autores brasileiros. Com organização e contos deCarlos Orsi e Marcelo Galvão, também participam dessa homenagem ao gênero policial Octavio Aragão, Alexandre Mandarino, Rosana Rios, Lucio Manfredi, Romeu Martins e Cirilo Lemos.

Obra máxima de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes é um dos mais duradouros ícones culturais de todos os tempos. Recentemente reinventado no cinema e na televisão, e sempre celebrado na literatura, continua a encantar com seu delicado equilíbrio entre racionalidade pura, personalidade única e energia explosiva.

É nesse espírito de reinvenção, mais do que de resgate — pois quando foi que Holmes precisou ser resgatado? — que chega essa antologia. Nela saberemos o que teria acontecido se Holmes e Watson nunca tivessem se encontrado, qual foi a herança que Edgar Alan Poe deixou para Doyle e como a história foi reescrita pelos poderosos para apagar a memória de algumas das maiores aventuras já vividas.

Sherlock Holmes – Aventuras Secretas

Quando Arthur Conan Doyle anunciou, na década de 20 do século passado, que não escreveria mais histórias de Sherlock Holmes, o então jovem americano August Derleth pediu permissão para levar o personagem adiante. Autorização negada, Derleth partiu para  criar seu próprio detetive londrino, Solar Pons.

Nos quase 100 anos desde o fechamento do cânone sherlockiano, muitos outros autores, das mais diversas partes do mundo, sentiram a mesma tentação que se apossara de Derleth — e, com a entrada da criação de Conan Doyle em domínio público, pedir permissão deixou de ser uma necessidade.

A safra brasileira nessa linhagem específica era bastante mirrada — os frutos mais conhecidos são O Relógio Belisário, de José J. Veiga, e  O Xangô de Baker Street, de Jô Soares.

Mas agora isso vai mudar: a Editora Draco anunciou o lançamento, em sua temporada 2011/2012, da coletânea de contos Sherlock Holmes – Aventuras Secretas, organizada por mim e por Carlos Orsi.

Com trabalhos de Octavio Aragão (expandindo o conto apresentado na coletânea Ficção de Polpa: Crime!, da Não Editora), Alexandre Mandarino, Rosana Rios, Cirilo Lemos, Lúcio Manfredi e Romeu Martins, além de um conto de cada um dos organizadores, Aventuras Secretas expande o universo sherlockiano, aprofundando o olhar  brasileiro sobre o personagem, seu criador e seu lugar na história.

Os contos vão desde mistérios ao estilo vitoriano à investigação de o que poderia ter acontecido se Holmes e Watson jamais tivessem ido morar juntos, passando pela última aventura de Holmes e a revelação de o que, afinal, o detetive conversou com o dalai-lama em sua visita ao Tibete.

O livro, projeto nascido de uma ideia original de Octavio Aragão, também marca a primeira iniciativa “oficial” do grupo de entusiastas sherlockianos Isadora Klein Amateur Mendicant Society (ou IKS, para encurtar).

E prova que, no mundo de hoje, é mais fácil organizar e publicar uma coletânea de contos de primeira linha do que reunir um grupo de amigos para tomar vinho e discutir literatura — o principal objetivo estatutário da IKS, que continua sem ser atingido.

Mas temos esperanças: quem sabe, no lançamento? Esperamos vocês lá!