Retrospectiva de 2016

O ano está prestes a acabar, então chegou a hora da retrospectiva de livros, quadrinhos, games, séries e cinema.

***

Fechei esse 2016 com a leitura de 50 obras, sendo a maior parte ficção fantástica (horror, fantasia e ficção científica), como aconteceu no ano passado — mas sobrou tempo para não ficção, principalmente livros que tratam de roteiros para quadrinhos e games:

o-caminho-do-louco

Caminho do Louco, de Alex Mandarino. Magia, tecnologia e teorias conspiratórias se mesclam nesta trama embalada por uma prosa fascinante. Mandarino estreia no mundo da literatura em grande estilo, como eu já esperava.

Old Man’s War, de John Scalzi. Uma ficção científica militar que tem gosto de blockbuster, com ação bem dosada e um humor legal. Fiquei com vontade de ler o resto da série.

king

Full Dark, No Stars, de Stephen King. Nesta coletânea com quatro (ou cinco, se você tem a versão de bolso) histórias, King prova que é também mestre quando se trata de textos mais curtos (e bem menos cansativos) do que os “aparadores de porta” que ele costuma escrever.

Level Up!, de Scott Rogers (tradução de Alan Richard da Luz ). Livro recomendado para quem está dando os primeiros passos no mundo do game design ou simplesmente tem curiosidade em saber como os games são feitos.

***

Li bastante HQ,  mesmo porque ainda tenho muuuuito material comprado no ano passado:

Saga – Deluxe Edition, vol. 1, roteiro de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples. Finalmente li uma das HQs mais premiadas dos últimos tempos,  mistura de fantasia, ficção científica e romance, contando com o ótimo roteiro de Vaughan e a belíssima arte de Staples. Esta edição de luxo traz alguns extras, como o roteiro completo de uma das edições.

cthulhu

O Despertar de Cthulhu, organizado por Raphael Fernandes. Quando eu pensava que a HQ  Rei Amarelo em Quadrinhos não poderia ser superada, eis que essa nova coletânea surge com ótimas histórias inspiradas no universo de H. P. Lovecraft.

The Manhattan Projects – vol. 1,  roteiro de Jonathan Hickman e arte de Nick Pitarra. Uma das histórias mais bizarras que li nos últimos anos, envolvendo diversos cientistas — como um Von Braun ciborgue, um Einstein de uma realidade paralela, um Oppenheimer com múltiplas personalidades —  em um Projeto Manhattan que não desenvolve apenas bombas atômicas.

***

Minhas lista de games no Steam não para de crescer — sem contar os pacotões interessantes que aparecem no Humble Bundle:

Game of Thrones – A Telltale Games Series. (Android) Jogo obrigatório para os fãs do seriado, mesmo que parte da trama perca a graça quando você já sabe o que vai acontecer com os personagens que também estão na TV.

rom

Read Only Memories. (PC) Este jogo do gênero adventure tem uma trama até que instigante, ainda que deslize em alguns diálogos longos e cansativos. Mas vale jogá-lo pela trilha sonora, a ambientação cyberpunk e pelos personagens LGBT, que não são estereotipados ou panfletários.

Out There – Omega Edition. (Android) Não sou fã de jogos do tipo roguelike (ou seja, se o seu personagem morre, ele retorna ao início do game em um cenário gerado aleatoriamente), mas gostei desse space opera que mistura as mecânicas de exploração e de gerenciamento de recursos.

***

Não assisti tantas séries como gostaria, mas ao menos consegui riscar alguns itens da minha lista:

Rick & Morty. Fazia tempo que não assitia uma animação tão divertida, uma espécie de paródia pervertida das aventuras vividas por Doc Brown e Marty McFly em De Volta para o Futuro.

st

Stranger Things. Além da trama envolvente (inspirada em diversos filmes, séries e livros dos anos 80), o segredo do sucesso inesperado dessa série foram talentosos atores mirins no papel de heróis inocentes — afinal de contas, chega uma hora que a gente cansa de torcer pelo anti-herói à Walter White, né?

Westworld. Comecei assistindo com medo de que virasse um Lost da vida pela quantidade de mistérios que apareciam, mas se revelou uma das melhores produções do ano (e, se você gosta de games, vai entender a participação rápida de Steven Ogg, o Trevor Philips de GTA 5).

***

Fui muito pouco ao cinema neste ano — porém, mais do que em 2015 –, deixando de assistir algumas películas que foram sucesso de crítica ou de público (ou ambos):

rogueone_onesheeta_1000_309ed8f6

Rogue One. Apesar da primeira parte se arrastar mais do que deveria, a segunda compensa, não só pela ação, mas também pelo desfecho que leva ao episódio 4 da saga de Star Wars .

Um Feliz e Próspero 2017 para todos! 🙂

Retrospectiva de 2015

Chegou a hora da retrospectiva do final de ano como faço aqui desde 2010, relacionando os livros que mais me chamaram a atenção. Desta vez, incluo também quadrinhos, games e séries de TV (atualização em 30/12: e cinema).

***

Li mais histórias de horror, suspense e fantasia em 2015, tentando conhecer coisa nova nos gêneros, mas também procurei por autores mainstream de renome:

Iluminadas, de Lauren Beukes (tradução de Mauro Pinheiro). Curiosa mistura de thriller com viagem no tempo.

Sword-and-Mythos

Sword and Mythos, organização de Silvia Moreno-Garcia e  Paula R. Stiles. Antologia acima da média, com  histórias que misturam o gênero da Espada e Feitiçaria com a mitologia criada por H. P. Lovecraft, mas procurando ambientá-las em novos cenários (africano, asteca etc) e personagens mais diversificados.

Making Comics, de Scott McCloud. Obrigatório para quem aprecia quadrinhos, seja lendo ou fazendo.

imago

The Imago Sequence, de Laird Barron. Cult nos EUA, Barron ficou mais conhecido depois da série True Detective, que tem cenas inspiradas na sua obra (como no conto Bulldozer). Recomendado para quem gosta de Horror Cósmico.

Kafka on the Shore, de Haruki Murakami (tradução de Philip Gabriel). Primeiro livro que leio desse famoso autor, e não será o último. Não vai agradar quem espera por finais amarrados; o negócio aqui é aproveitar as personagens e situações bizarras.

***

Com ajuda do Comixology e vários Humbles Bundles, li bastante HQ virtual, mas também comprei material impresso nacional de qualidade:

Scalped, com roteiro de Jason Aaron e arte de R. M. Guéra. Excelente mistura de noir com western contemporâneo, tudo embrulhado numa narrativa não linear.

boom_next_testament_v1_tpb

Clive Barker’s Next Testament, com roteiro de Clive Barker e Mark Miller, arte de Haemi Jung. Ainda que não tenha um final satisfatório, a HQ traz de volta o horror e humor de Barker, ilustrados por uma artista de manhwa.

Lazarus (volumes 1 ao 3), com roteiro de Greg Rucka e arte de Michael Lark. Distopia intrigante com uma ótima protagonista feminina (como é típico de Rucka).

reiamarelo-capa-72

O Rei Amarelo em Quadrinhos, organização de Raphael Fernandes. Edição primorosa com histórias inspiradas (outras mais, outras menos) no livro de Robert W. Chambers.

***

Neste ano, meus games foram divididos em jogadas no console, PC, tablet e celular:

Far Cry 4. Gameplay e história fascinantes neste jogo de mundo aberto inspirado na região do Himalaia.

Fallout New Vegas.  Ainda que pareça uma expansão de luxo de Fallout 3, o game se sustenta ao apresentar mais um pouco desse cenário atompunk pós-apocalíptico.

alien-isolation-xbox-360-cover

Alien: Isolation. Survival horror obrigatório para quem gosta da franquia Alien, em especial o primeiro filme. Não recomendado para quem tem problemas cardíacos (é sério).

Monument Valley. Um dos puzzles mais bonitos que já vi e joguei.

***

O que seria do mundo sem Netflix? Foi através dele que assisti a maior parte das séries do ano:

Star Trek: Deep Space Nine. Ao contrário das séries Clássica e Nova Geração, esta tem um clima sombrio, mostrando um ângulo diferente do universo criado por Gene Roddenberry.

daredevil

Demolidor (primeira temporada). Ótima adaptação do personagem das HQs da Marvel.

Brooklyn Nine Nine (primeira temporada). Recomendado para quem gosta do humor à The Office e Parks and Recreation.

***

É isso. Vamos ver se da próxima vez faço uma categoria para cinema, pois este ano não consegui ver um filme na telona. Pois é, no penúltimo dia do ano consegui ver Star Wars – O Despertar da Força :).

Um Feliz e Próspero 2016 para todos!

Livros de 2014 – 1ª parte

Já estamos no segundo semestre do ano, então é hora de comentar alguns livros que chamaram a minha atenção (além de voltar a escrever no blog, agora com um novo visual).

Butch

Butch Fatale – Dyke Dick: Double-D Double Cross, de Christa Faust. Faust é considerada uma das melhores escritoras de ficção criminal da atualidade, criando personagens femininas que se aventuram no cenário de alguma subcultura. Foi assim em Moneyshot (pornografia), Choke Hold (artes marciais mistas) e, com este livro, o mundo LGBT (com ênfase no L). Butch Fatale é uma detetive particular de Los Angeles contratada para encontrar a namorada desaparecida da sua mais recente cliente. E como não podia deixar de acontecer em uma história criminal, ela descobre que a moça morreu de uma aparente overdose, para então envolver-se numa trama com assassinatos, política, chantagem e muito, muito sexo.

Fatale é uma espécie de versão lésbica do detetive hardboiled Mike Hammer, com direito até mesmo a uma secretária sexy. A diferença aqui fica com o humor (a começar pelo título do livro) e as cenas bem apimentadas de sexo, já que Butch nunca resiste a um rabo de saia. A trama tem ação em dose certa (apesar de uma perseguição no final que beira o absurdo…) e mostra não só parte da subcultura LGBT, mas também a de Hollywood.

Galveston

Galveston, de Nic Pizzolato (Scribner). Antes de criar a série True Detective, uma das grandes surpresas do ano na TV, Pizzolato escreveu em 2010 este livro que tem como cenário a cidade texana do título. O personagem principal é Roy Cady, um criminoso que descobre que tem câncer logo na primeira página, mas este será o menor dos seus problemas quando ele também descobre que alguém quer matá-lo.

Este é um típico noir, a começar pelo protagonista, um bandido calejado pela vida condenado por uma doença, e prosseguindo pelo clima fatalista que permeia o livro. Pizzolatto sabe contar uma história instigante – ainda que ela se arraste por alguns capítulos do meio, como se ele embromasse só para que o livro ficasse maior -, porém, pode decepcionar os leitores que esperam reviravoltas; na realidade, chega a ser previsível em determinado ponto. O forte mesmo aqui são os personagens, pessoas que vivem no submundo da sociedade e tentam se reerguer de alguma forma, lembrando em vários momentos as obras de David Goodis, um dos grandes nomes do gênero, com obras como Atire no pianista. Para os fãs da série de TV interessados neste trabalho de Pizzolato, vale notar alguns detalhes que ele usa na trama e que depois aproveitaria em True Detective, incluindo o fato da história se passar em duas épocas distintas.

last

Last Days, de Brian Evenson (Underland Press). Este foi um dos livros mais bizarros que li nos últimos anos, a começar pela premissa na qual Kline, ex-policial que teve a mão amputada por um criminoso, é forçado a solucionar um assassinato em uma seita formada por mutilados.

A história começa bem, em parte pela excentricidade da situação em que Kline se envolve e com a recusa dos seguidores em colaborarem com a investigação, já que a seita tem uma curiosa ordem hierárquica: quanto mais mutilada a pessoa, mais ela é respeitada pelos seus pares. Porém, a trama perde a força na última metade quando mais bizarrices surgem e que nem sempre são bem aproveitadas.

Evenson tem uma prosa lacônica que lembra a de Dashiell Hammett, o que não é surpresa, pois o famoso autor hardboiled foi uma das inspirações para o livro, conforme o próprio Evenson explica ao final. A obra conta ainda com um interessante prefácio escrito por Peter Straub (Os Mortos-Vivos, Koko), mas cheio de spoilers.

Livros de 2013 – 2ª parte

Chegou o último dia do ano, então é hora da lista de livros de 2013 e das estatísticas aleatórias. Foram 42 lidos, o que significa um aumento de 40% se comparado com o ano passado, sendo 22 na forma de ebooks através do Kindle. Li muita não-ficção (11) e ficção criminal/suspense (17), em parte devido ao projeto em que estou envolvido, e o restante se dividiu em horror, fantasia, ficção científica e obras que não se encaixam em rótulos.

Abaixo, meus comentários breves de alguns dos livros:

suicidas

Suicidas, de Raphael Montes (Benvirá). Ótimo livro de estreia desse jovem autor, mostrando talento em criar personagens e uma trama amarrada e empolgante, além de saber usar as convenções do gênero (como a do “caso da sala fechada”, tradicional na literatura policial).

Blood on the desert/ A house in Naples, de Peter Rabe (Stark House). Rabe foi um dos grandes nomes dos paperbacks (livros de bolso) americanos dos anos 50/60. Nesta edição dupla, a primeira história é um suspense de espionagem sem graça; já a segunda mostra o talento de Rabe em tecer uma trama noir.

fake

Fake I.D., de Jason Starr (Hard Case Crime). Um noir na tradição de obras como Assassino em Mim, com um protagonista sociopata fazendo de tudo para conseguir o que quer. Não só o personagem é interessante, mas a trama é ágil.

Kill Whitey, de Brian Keene (Cemetery Dance). O que começa como um suspense tradicional (jovem se apaixona pela prostituta de um cafetão violento e fica obcecado) se transforma em um história sobrenatural lá pelo meio do livro. Keene é conhecido nos EUA por suas tramas de horror e aqui ele não decepciona quem gosta de descrições sanguinolentas.

E é isso. Vamos ver se consigo comentar mais livros da próxima vez.

Feliz e Próspero 2014!

Livros de 2013 – 1ª parte

Metade do ano chegou, então é hora de fazer comentários sobre alguns dos livros lidos até o momento, incluindo álbum de quadrinhos (há tempos eu não lia HQs). A leitura de ebooks aumentou bastante com a compra do Kindle:  12 livros contra 3 lidos no ano passado usando o aplicativo para celular. Da mesma forma, a pilha de livros virtuais também “subiu”, ainda mais com vários deles baratos ou até disponíveis de graça:

protetores

Protetores (Underworld), de Duda Falcão. O romance de estreia do escritor gaúcho traz as aventuras de um grupo enfrentando ameças sobrenaturais em Porto Alegre. A história é ágil (um traço que já notei nos textos curtos do autor), com o cenário do sul do Brasil sendo um ponto que também me atraiu. Outro detalhe que vale comentar é a produção caprichada da editora e as ilustrações no livro, se encaixando no clima de suspense da trama. No entanto, o livro poderia ser bem melhor se a ação, ao invés de meramente narrada como acontece em vários trechos, fosse mostrada – da forma que foi feita, acaba lembrando a narração de uma partida de RPG (principalmente nas cenas de combate). Outro ponto que precisa ser trabalhado são alguns dos personagens que, baseados em arquétipos de ação/aventura, beiram o estereótipo. De qualquer forma, o livro deixa várias perguntas interessantes no ar e fico aqui aguardando pela continuação.

Battle Royale (VIZ Media), de Koushun Takami, é uma ficção distópica que mostra adolescentes participando de um jogo cruel no qual são forçados a se matar, até que reste apenas um. A trama é ligeira e divertida, com cenas de violência exagerada e personagens rasos, com exceção do trio de protagonistas. Mas Takami consegue capturar bem a típica angústia adolescente, usando os arquétipos do(a) garoto(a) esportista, rebelde, nerd (otaku), piriguete etc. e que, ainda por cima, precisam se matar para sobreviver. A obra foi lançada no Japão em 1998 e a versão lida em inglês é de 2009, trazendo um posfácio com o autor e um adesivo na capa com a frase The original survival game! – deixando bem claro que Battle Royale é anterior ao Jogos Vorazes, livro de 2008 acusado de ser cópia da obra japonesa (tirando alguns pontos em comum, são livros com propostas diferentes).

imahq1

Imaginários em Quadrinhos 1 (Draco) é a primeira antologia em quadrinhos da editora paulista. Com organização de Raphael Fernandes (editor da revista MAD) e a participação dos quadrinistas Raphael Salimena, Jaum, Dalton Dalts, Zé Wellington, Marcus Rosado, Camaleão, Alex Mir e Alex Genaro, a publicação traz uma mistura de histórias de ficção científica, fantasia e terror, tal como a coleção em prosa com o mesmo nome. O resultado final ficou equilibrado e bem acima da média, com os destaques ficando por conta de Ôch (roteiro e arte de Salimena), A revolução não será compartilhada (roteiro de Fernandes e arte de Dalts) e Apagão (roteiro de Fernandes e arte de Camaleão). Vale lembrar que esta última história está sendo transformada em um projeto maior, através de financiamento coletivo.

Afraid, de Jack Kilborn. J.A. Konrath é um dos atuais astros do mundo da autopublicação digital, vendendo milhares de livros e contos em diversos gêneros literários. Sob o pseudônimo de Jack Kilborn, ele escreve histórias de horror, como é o caso deste romance: um helicóptero cai numa cidade nos cafundós dos Estados Unidos, liberando algo que elimina aos poucos a minúscula população do local e cabendo a um xerife idoso deter a matança. O livro se sustenta principalmente pelo suspense (lembrando em alguns momentos as obras de Stephen King e Dean Koontz), já que os personagens não são exatamente profundos (se procura por isso, vai se decepcionar). É também um prato cheio para os apreciadores do chamado torture porn, com descrições detalhadas de ferimentos, amputações, decapitações etc.  Ao final, cumpre com a promessa de divertir o leitor por algumas horas.

Livros de 2012

Consegui ler três livros a mais do que no ano passado – pouca coisa, tenho que reconhecer, para quem tem uma fila gigantesca de livros a ler (e que continua comprando mesmo assim).

Algumas estatísticas aleatórias: 2 antologias, 3 coletâneas, 8 livros de ficção criminal/suspense, 21 de ficção fantástica, 1 de não-ficção, 2 releituras. Vale lembrar que boa parte do que li desafia aqueles rótulos para gêneros literários, muitas vezes os misturando numa obra só.

Os destaques – para o bem e para o mal – foram:

rei_rato

Rei Rato – China Miéville (Tarja, tradução de Alexandre Mandarino). Mais conhecido por ser um dos expoentes do New Weird, a estreia de Miéville foi essa excelente fantasia urbana. A versão nacional conta pontos extras pela tradução e notas explicativas.

O Peregrino – Em busca das crianças perdidas – Tibor Moricz (Draco).  Este  weird western tem um cenário até interessante e uma trama que é enriquecida com o estilo de Tibor; o problema é o personagem principal, sem um pingo de carisma e que se arrasta pela história.

hands

By Bizarre Hands – Joe Lansdale (Avon). Lançada em 1989, esta foi a primeira coletânea deste autor de literatura fantástica e criminal (e um dos meus favoritos também). São dezesseis contos ótimos, de ficção criminal na sua maioria, em que destaco “Tight Little Stitches in a Dead Man’s Back” e “Letter From the South, Two Moons West of Nacogdoches”.

A Sombra no Sol – Eric Novello (Draco). Instigante e visceral: estes são os primeiros adjetivos que vieram à mente ao acabar esta obra, e um ótimo livro para sair da zona de conforto da literatura. O mesmo vale para Dias Nublados, e-book que traz também entrevista, contos e um ensaio fotográfico com o autor.

The Fever Kill – Tom Piccirili (Creeping Hemlock). Por anos, Piccirilli escreveu livros de horror, sendo constantemente premiado. Depois, passou a escrever noir – e continuou a colecionar prêmios. Este livro traz todas as situações clássicas do gênero criminal e mais as obsessões do autor (como os muscle cars, presentes em toda sua obra).

fantasias

Fantasias Urbanas – vários autores (Draco). Eric Novello aparece de novo na lista, desta vez como organizador desta ótima antologia, alguns derivados de universos literários. Os destaques ficam para os contos de José Roberto Vieira, Ana Cristina Rodrigues e Erick Santos Cardoso.

Geração Subzero – vários autores (Record). Organizada por Felipe Pena, essa antologia tem a proposta de reunir autores desprezados pela crítica literária (a chamada “literatura séria”), mas adorados pelos leitores que procuram entretenimento (a tal “literatura barata” na visão daqueles críticos). Depois de uma introdução, somos apresentados aos vinte contos – infelizmente, de qualidade muito irregular: a maior parte dos textos não cumpriu a sua função de entreter, ainda mais se levarmos em conta o time de escritores.  A situação só melhora nas páginas finais com os últimos seis contos, em especial os de Delfim, Martha Argel e Cirilo S. Lemos.

É isso. Ainda tem muita coisa boa que comprei este ano mas não tive tempo de ler ou de acabar a leitura. De qualquer modo, verifiquei que, dos 30 livros lidos, 14 foram  adquiridos em 2012 – o que significa menos livros na minha pilha com mais de 100 obras a ler.

Feliz e Próspero 2013!

Livros de 2011

Tenho o costume de relacionar os livros lidos no ano, uma prática que comecei em 2000. Hoje em dia, com o Skoob e outros sites do gênero, ficou bem mais fácil atualizar a lista, mas ainda gosto de anotar no meu velho caderno.

Em 2011, fechei com 27 livros. Meu lado estatístico mostra aqui alguns dados, como 5 antologias (total de 59 autores), 4 livros de não-ficção e que o autor mais lido foi Cornell Woolrich. Os livros que se destacaram foram:

Cyber Brasiliana – Richard Diegues (Tarja). Este pós-cyberpunk foi comentado aqui.

Lovecraft Unbound – vários autores (Dark Horse). A veterana organizadora Ellen Datlow queria histórias inspiradas no trabalho de H. P. Lovecraft. Como resultado, obteve 20 contos de ótima qualidade – afinal, Datlow se cercou de feras como Michael ChabonCaitlín Kiernan e Joyce Carol Oates.

Neon Azul – Eric Novello (Draco). As 10 histórias com um cenário em comum e personagens que se entrecruzam em outras tramas tornam este romance fix-up uma ótima leitura, deixando mais perguntas do que respostas ao final.

Sagas – vol.1 – vários autores (Argonautas). A antologia de espada e feitiçaria foi resenhada aqui.

Revelation Space – Alastair Reynolds (Ace). Excelente combinação de space opera e ficção científica hard, subgêneros aparentemente excludentes – incluindo na mistura até mesmo um pouco de terror gótico, ao substituir a mansão decrépita e cheia de segredos por uma gigantesca nave misteriosa.

Space Opera – vários autores (Draco). Em um gênero atualmente mais conhecido no Brasil pela TV e cinema, os organizadores Hugo Vera e Larissa Caruso apostaram em 8 histórias com aventuras espaciais, todas de qualidade. Vale destacar os contos de Gerson Lodi-RibeiroFlávio Medeiros e Hugo Vera.

Casas de Vampiro – Flávio Medeiros (Tarja). Personagens redondos e trama envolvente são os pontos fortes desta história com vampiros, bem diferentes dos seres emasculados da saga Crepúsculo.

Cursed City – vários autores (Estronho). Essa antologia weird west, organizada por M. D. Amado, já chama a atenção pela capa, com um buraco de bala atravessando o livro. São 20 histórias, algumas ótimas, outras com uma boa ideia mas que precisavam de um tratamento melhor. Os contos que se destacam são os de Alfer Medeiros, Cirilo S. Lemos, Alliah e Romeu Martins.