Carnaval na Draco

A Editora Draco está com outra ótima promoção para este Carnaval!

carnadraco

No CarnaDraco, todos os livros impressos estão com 40% de desconto e frete grátis nas compras acima de R$ 100,00 — incluindo coletâneas que contam com minha participação, como Imaginários  – volume 3, Space Opera – volume 2, Sherlock Holmes – Aventuras Secretas e Magos – Histórias de feiticeiros e mestres do oculto (que traz meu conto Era Uma Vez no Oeste Bizarro, finalista do Prêmio Argos de 2018).

Já os e-books (em formato epub) estão com 70% de desconto, caso das coletâneas acima e também do livro Depois do Fim, assim como alguns dos meus contos:  Inferno de Dantès, Caminho para o purgatório, Encruzilhada no paraísoA arte mística de minerar teratolítios em Ixcuina.

A promoção vai até 1 de março de 2019 — então aproveite e caia na folia!

Retrospectiva de 2018

Ano acabando e então é hora da rever o que li, assisti e joguei. Eu cheguei a comentar alguns dos livros e quadrinhos logo no início de 2018, mas não foi possível continuar no mesmo formato. Agora, farei uma versão minimalista do que se destacou entre as 42 publicações lidas:

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Mistura interessante de ficção e não ficção em um formato diferente.

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Um bom livro de terror, ainda que o final deixe a desejar.

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Arte e roteiro combinam bem nessa HQ, mesmo com infodumping na história.

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Uma boa novella de faroeste no sul do Brasil.

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Um clássico que mistura ficção científica com vampiros.

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Este livro só é legal em formato físico: imita o catálogo de uma loja de móveis e utensílios domésticos assombrada por fantasmas . Boa história e personagens interessantes.

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Uma trama tecida com sensibilidade em um momento tão importante no país.

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Seguindo a tendência do ano anterior, não só comprei menos games como também joguei menos e não cheguei ao final de qualquer um. Por outro lado, joguei muito mais RPG de mesa, uma paixão que redescobri. Entre tantas opções que estou conhecendo, o que destaco são:

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Savage Worlds (lançado aqui no Brasil pela Retropunk) é atualmente um dos meus sistemas genéricos favoritos, enquanto o suplemento Broken Earth se tornou meu cenário preferido, com sua ambientação pós-apocalíptica.

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Existem várias opções para jogar RPG com super-heróis (entre sistemas específicos e genéricos como Mutantes & Malfeitores, Icons, GURPS e Savage Worlds), mas a maioria abusa e complica as regras de superpoderes. Até o momento, Supers! Revised Edition não mostrou ter esse problema na campanha que estou narrando.

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Também assisti a poucos seriados, assim como aconteceu no último ano, e não alcancei o final de qualquer temporada, apesar de ter muita coisa boa por aí (meu problema é que não tenho mais paciência para temporadas longas).

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Não fui tanto no cinema quanto gostaria, mas os filmes que se destacaram foram:

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O filme que muda a história do Universo Marvel até agora, preparando para o grand finale do próximo ano.

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Um bom filme que mantém o mesmo clima animado da película de 2015.

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Sem dúvida, um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos!

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Um Feliz e Próspero 2019 para todos 🙂

 

Nova promoção de coletâneas

As coletâneas da Editora Draco estão com um ótimo desconto da Amazon, incluindo as que contam com minha participação:

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Depois do Fim (que tem meu conto Sangue Santo)

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Magos: Histórias de feiticeiros e mestres do oculto (Era Uma Vez no Oeste Bizarro)

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Imaginários – volume 3 (Vida e morte do último astro pornô da Terra)

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Space Opera – volume 2 (Inferno de Dantès)

Coletâneas digitais com desconto

Dica para essas Olimpíadas: a Amazon colocou em promoção duas coletâneas em e-books bem legais da Editora Draco, ambas com um conto meu!

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Imaginários – vol. 3 (organizado por Erick Sama) tem histórias de ficção científica, terror e fantasia, incluindo o meu conto retrofuturista Vida e morte do último astro pornô da Terra. São 10 contos por R$ 5,22.
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Depois do Fim (organizado por Eric Novello) traz contos em cenários pós-apocalípticos, caso da minha história Sangue Santo. Por R$ 7,00 você leva 8 contos, todos ilustrados.

Depois do Fim

A editora Draco anunciou o lançamento do e-book Depois do Fim, organizado por Eric Novello e que traz meu conto Sangue Santo, ao lado das histórias de um talentoso time de escritores.

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A antologia é “irmã” da Fantasias Urbanas – do mesmo organizador e que já comentei antes por aqui – e que abordava a presença do fantástico em ambientes urbanos. Já nesta o tema pode ser resumido na pergunta “o que acontece depois do fim?”

Ficção pós-apocalíptica é um gênero que me atrai há tempos. Talvez este fascínio tenha origem por ter crescido nos anos 80 e presenciado a Guerra Fria entre EUA e URSS – o finalzinho dela, é verdade, mas não havia jeito de saber na época, não quando a mídia propagava notícias alarmistas (li numa Manchete – alguém ainda lembra dessa revista? – informando que, no caso de um ataque nuclear, o metrô da Sé serviria como abrigo para quem chegasse a tempo lá, o que não adiantava muito para quem morava no interior, como era meu caso). Isso sem contar filmes como O Dia Seguinte (que traumatizou muita gente mundo afora) ou de um episódio da segunda versão de Além da Imaginação (até hoje não esqueço a cena final).

Quando recebi o convite do Eric (por coincidência, eu jogava Fallout 3, um dos meus games favoritos e que tem um cenário pós-apocalíptico após um conflito nuclear), meu primeiro pensamento foi escrever uma história que envolvesse sobreviventes de uma guerra atômica… mas o problema é que estamos praticamente no meio da segunda década do século XXI e o zeitgeist é outro, bem como os candidatos para começar um apocalipse: aquecimento global, impacto de meteoros, supervulcões e – o queridinho do mês – uma tempestade solar que, se igual ao Evento de Carrington, vai fritar toda tecnologia da Terra.

Além disso, escrever em um cenário estrangeiro (como boa parte das histórias do gênero) não me apetecia na época. Foi então que resolvi escrever em um que conheço, no caso, o Brasil – para ser mais preciso, São Paulo.

Ou o que restou do sertão paulista após um cataclismo mundial. Um lugar reivindicado por senhores de terra, assombrado por superstição, seitas místicas e estranhas criaturas conhecidas como virabichos.

E assim nasceu Sangue Santo, um conto no qual o personagem principal tenta sobreviver ao caos do dia a dia, sem saber que o fim do mundo está próximo de novo. Foi uma história que gostei de escrever, principalmente pelo worldbuilding envolvido.

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Trecho:

Um grasnido soou acima das árvores. Um urubu planou entre as copas, as asas enormes estendidas, pronto para se fartar no banquete ali embaixo. Guel olhou para os outros cadáveres: nenhum deles levava qualquer objeto valioso como o anel do padre. Em comum, tinham as marcas da morte violenta que se aplacara sobre o grupo – talhos que rasgavam os torsos, dedos decepados e feridas nos antebraços -, sinais típicos de quem tenta se defender dos atacantes.

Atacantes como virabichos.

A mata na outra margem se mexeu: algo vinha na direção da encruzilhada.

Guel engoliu em seco. Com um pulo, se embrenhou entre os arbustos ao lado. De onde estava, conseguiu ver duas figuras grandes saírem para a estrada. Pelo tamanho, não havia dúvida de que eram virabichos. Em silêncio e sem tirar os olhos da encruzilhada, Guel retrocedeu ainda mais no bosque, afastando-se dos monstros passo a passo, o ar ao redor tão frio quanto o seu estômago tomado pelo medo de pisar em algum graveto seco e denunciar sua posição. Quando decidiu que já estava longe o bastante, ele se virou para correr.

E se deparou com um virabicho acocorado contra o tronco grosso de uma paineira.

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Além do meu conto, Depois do Fim traz os textos de autores que já tive o prazer de ler em outras vezes – caso de Cirilo S. Lemos, Eduardo Kasse, Gerson Lodi-Ribeiro e Alliah – e de outros que estou curioso em conhecer. Alliah também fez as ilustrações internas e a bela capa – que serve de contraponto à da Fantasias Urbanas – é do Erick Sama.

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Sinopse:

Um passeio pela destruição que restou da presença humana.

A fantasia e a ficção científica crescem cada vez mais no Brasil e no mundo, ganhando inúmeras adaptações para o cinema e até despertando certa devoção entre os fãs, como se os personagens fossem pessoas reais e seus destinos estivessem de fato em nossas mãos. Ao lado da literatura de terror, formam uma tríade onde tudo é possível e a única regra é ter muita imaginação. Recentemente, as distopias têm levado esse sucesso a um novo patamar, marcando presença constante com seus romances na lista de best-sellers.

Depois do Fim é um tour pelas terras inóspitas das distopias, pela aventura constante e o humor amargo de quando o que está em jogo é a nossa sobrevivência. Após levar os leitores a visitarem cidades fantásticas na coletânea Fantasias Urbanas, Eric Novello reúne oito novos autores que tinham como armas de batalha a qualidade, a criatividade e o entretenimento. Blanxe, Nazarethe Fonseca, Cirilo S. Lemos, Eduardo Kasse, Diego de Souza, Gerson Lodi-Ribeiro, Marcelo A. Galvão e Alliah, que participa também com uma narrativa visual.

Sobrevivendo a monstros no fundo do oceano e a provas de resistência em estufas mecanizadas, a ringues de boxe onde se luta pelo direito de sonhar e a castelos sitiados por invasores cruéis, escapando de conflitos entre deuses vingativos e de cangaços violentos onde a bala é a lei, correndo por campos dominados por vampiros ou por cidades melancólicas, só nos resta responder à pergunta: o que acontece depois do fim?

Livros de 2012

Consegui ler três livros a mais do que no ano passado – pouca coisa, tenho que reconhecer, para quem tem uma fila gigantesca de livros a ler (e que continua comprando mesmo assim).

Algumas estatísticas aleatórias: 2 antologias, 3 coletâneas, 8 livros de ficção criminal/suspense, 21 de ficção fantástica, 1 de não-ficção, 2 releituras. Vale lembrar que boa parte do que li desafia aqueles rótulos para gêneros literários, muitas vezes os misturando numa obra só.

Os destaques – para o bem e para o mal – foram:

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Rei Rato – China Miéville (Tarja, tradução de Alexandre Mandarino). Mais conhecido por ser um dos expoentes do New Weird, a estreia de Miéville foi essa excelente fantasia urbana. A versão nacional conta pontos extras pela tradução e notas explicativas.

O Peregrino – Em busca das crianças perdidas – Tibor Moricz (Draco).  Este  weird western tem um cenário até interessante e uma trama que é enriquecida com o estilo de Tibor; o problema é o personagem principal, sem um pingo de carisma e que se arrasta pela história.

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By Bizarre Hands – Joe Lansdale (Avon). Lançada em 1989, esta foi a primeira coletânea deste autor de literatura fantástica e criminal (e um dos meus favoritos também). São dezesseis contos ótimos, de ficção criminal na sua maioria, em que destaco “Tight Little Stitches in a Dead Man’s Back” e “Letter From the South, Two Moons West of Nacogdoches”.

A Sombra no Sol – Eric Novello (Draco). Instigante e visceral: estes são os primeiros adjetivos que vieram à mente ao acabar esta obra, e um ótimo livro para sair da zona de conforto da literatura. O mesmo vale para Dias Nublados, e-book que traz também entrevista, contos e um ensaio fotográfico com o autor.

The Fever Kill – Tom Piccirili (Creeping Hemlock). Por anos, Piccirilli escreveu livros de horror, sendo constantemente premiado. Depois, passou a escrever noir – e continuou a colecionar prêmios. Este livro traz todas as situações clássicas do gênero criminal e mais as obsessões do autor (como os muscle cars, presentes em toda sua obra).

fantasias

Fantasias Urbanas – vários autores (Draco). Eric Novello aparece de novo na lista, desta vez como organizador desta ótima antologia, alguns derivados de universos literários. Os destaques ficam para os contos de José Roberto Vieira, Ana Cristina Rodrigues e Erick Santos Cardoso.

Geração Subzero – vários autores (Record). Organizada por Felipe Pena, essa antologia tem a proposta de reunir autores desprezados pela crítica literária (a chamada “literatura séria”), mas adorados pelos leitores que procuram entretenimento (a tal “literatura barata” na visão daqueles críticos). Depois de uma introdução, somos apresentados aos vinte contos – infelizmente, de qualidade muito irregular: a maior parte dos textos não cumpriu a sua função de entreter, ainda mais se levarmos em conta o time de escritores.  A situação só melhora nas páginas finais com os últimos seis contos, em especial os de Delfim, Martha Argel e Cirilo S. Lemos.

É isso. Ainda tem muita coisa boa que comprei este ano mas não tive tempo de ler ou de acabar a leitura. De qualquer modo, verifiquei que, dos 30 livros lidos, 14 foram  adquiridos em 2012 – o que significa menos livros na minha pilha com mais de 100 obras a ler.

Feliz e Próspero 2013!

Lançamentos da semana

Dois livros com temáticas interessantes serão lançados neste sábado (28/07), sendo um no Rio de Janeiro e o outro em São Paulo.

2013- Ano Um (Ornitorrinco) é uma antologia organizada por Alícia Azevedo e Daniel Borba, trazendo visões diversas de um mundo pós-apocalíptico. O livro conta com as participações de Roberto de Sousa Causo, Gerson Lodi-Ribeiro, Tibor Moricz, Ana Lúcia Merege, Ademir Pascale, Duda Falcão, Adriano Siqueira, Paulo Fodra, Daniel Tréz, A. Z. Cordenonsi, Carlos Relva, Josué de Oliveira, João Rogaciano, Marcelo Bighetti e Sandro Quintana. O lançamento será na Livraria Nobel do NorteShopping (RJ), a partir das 15:00 horas.

Fantasias Urbanas (Draco) traz nove contos deste subgênero fantástico no qual a ambientação em cidades é parte importante da história. Organizada por Eric Novello, a antologia tem a presença de Ana Cristina Rodrigues, Antonio Luiz M. C. Costa, Carlos Orsi, Douglas MCT, Erick Santos Cardoso, José Roberto Vieira, Rafael Lima, Rober Pinheiro e Tiago Toy. O lançamento será na Biblioteca Viriato Corrêa (SP), a partir das 17:30 horas.

Livros de 2011

Tenho o costume de relacionar os livros lidos no ano, uma prática que comecei em 2000. Hoje em dia, com o Skoob e outros sites do gênero, ficou bem mais fácil atualizar a lista, mas ainda gosto de anotar no meu velho caderno.

Em 2011, fechei com 27 livros. Meu lado estatístico mostra aqui alguns dados, como 5 antologias (total de 59 autores), 4 livros de não-ficção e que o autor mais lido foi Cornell Woolrich. Os livros que se destacaram foram:

Cyber Brasiliana – Richard Diegues (Tarja). Este pós-cyberpunk foi comentado aqui.

Lovecraft Unbound – vários autores (Dark Horse). A veterana organizadora Ellen Datlow queria histórias inspiradas no trabalho de H. P. Lovecraft. Como resultado, obteve 20 contos de ótima qualidade – afinal, Datlow se cercou de feras como Michael ChabonCaitlín Kiernan e Joyce Carol Oates.

Neon Azul – Eric Novello (Draco). As 10 histórias com um cenário em comum e personagens que se entrecruzam em outras tramas tornam este romance fix-up uma ótima leitura, deixando mais perguntas do que respostas ao final.

Sagas – vol.1 – vários autores (Argonautas). A antologia de espada e feitiçaria foi resenhada aqui.

Revelation Space – Alastair Reynolds (Ace). Excelente combinação de space opera e ficção científica hard, subgêneros aparentemente excludentes – incluindo na mistura até mesmo um pouco de terror gótico, ao substituir a mansão decrépita e cheia de segredos por uma gigantesca nave misteriosa.

Space Opera – vários autores (Draco). Em um gênero atualmente mais conhecido no Brasil pela TV e cinema, os organizadores Hugo Vera e Larissa Caruso apostaram em 8 histórias com aventuras espaciais, todas de qualidade. Vale destacar os contos de Gerson Lodi-RibeiroFlávio Medeiros e Hugo Vera.

Casas de Vampiro – Flávio Medeiros (Tarja). Personagens redondos e trama envolvente são os pontos fortes desta história com vampiros, bem diferentes dos seres emasculados da saga Crepúsculo.

Cursed City – vários autores (Estronho). Essa antologia weird west, organizada por M. D. Amado, já chama a atenção pela capa, com um buraco de bala atravessando o livro. São 20 histórias, algumas ótimas, outras com uma boa ideia mas que precisavam de um tratamento melhor. Os contos que se destacam são os de Alfer Medeiros, Cirilo S. Lemos, Alliah e Romeu Martins.

Imaginários – volumes 1 e 2

Quando se trata de antologia de gênero, não é raro que seu conteúdo seja desequilibrado: às vezes, textos bons ficam soterrados numa avalanche de contos ruins ou, na melhor das hipóteses, medianos. E a culpa, neste caso, é do organizador que não fez direito o trabalho de seleção.

Este não é o caso dos dois volumes da coleção Imaginários, da Editora Draco. Lançados simultaneamente no final de 2009, trazem vinte contos de fantasia, ficção científica e horror – reunidos por Eric Novello, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz – de alta qualidade, com a presença de autores veteranos e novatos do Brasil e de Portugal.

Gerson Lodi-Ribeiro abre muito bem o primeiro volume com a ficção científica Coleira de Amor. Numa sociedade em que emoções são manipuladas por biochips, um recém-viúvo tenta lidar com a dor da perda. Conto muito bem elaborado, com uma reviravolta de consequências trágicas.

Com Eu, A Sogra, Giulia Moon mostra a divertida história de uma bruxa moderna que, durante uma importante reunião de família, conhece a esposa do filho querido. Os pontos fortes deste excelente conto são a personagem principal e a ambientação.

Jorge Luis Calife colabora com Veio… Novamente, uma trama envolvendo o contato entre alienígenas e uma família americana no meio do deserto. É um conto com bom desenvolvimento – apesar do início morno -, mas com um final que deixa a desejar.

A Encruzilhada, de Ana Lúcia Merege, é o conto representante da fantasia medieval na antologia. Um mago procura por uma fonte mágica de água e acaba por encontrar um jovem que poderá ser seu aprendiz. A trama bem conduzida e os personagens são os atrativos deste conto.

Já Carlos Orsi mostra, com Por Toda a Eternidade, que “menos é mais”: nesta mistura de ficção científica e história policial de apenas três páginas, encontramos amor, traição, crime, raças alienígenas e uma reviravolta bem elaborada que leva a um final inesperado.

Twist my sobriety, de Flávio Medeiros, é outro conto excelente. Alienígenas de aparência vegetal  resolvem ajudar a Terra; neste cenário, um homem contrário à interferência das criaturas descobre um novo amor. O personagem principal, a ambientação e a conclusão são os destaques desta história.

Com Toque do Real: Óleo sobre Tela, Roberto de Souza Causo conta a história de um artista plástico que vê a realidade ao seu redor se transformar. O destaque neste ótimo conto fica pela descrição do mundo do personagem sendo alterado aos poucos.

Alma, de Osíris Reis, é um conto de ficção científica com cenário e personagem principal interessantes, mas que peca pelas descrições longas e cansativas, tornando a leitura arrastada em certos pontos.

Em Contigência, ou Tô pouco ligando, de Martha Argel, o personagem principal discorre, num tom bem-humorado, sobre a interferência do homem na natureza e o impacto provocado na realidade. É um ótimo conto com fundo ecológico e que vale uma releitura atenta.

Davi M. Gonzales cria uma atmosfera de suspense em Tensão Superficial, sabendo provocar curiosidade pela trama, na qual dois rapazes exploram um prédio antigo; infelizmente, o final fraco não corresponde ao suspense criado desde o início.

Richard Diegues fecha com chave de ouro o volume com Planeta Incorruptível, outra história sobre o contato da Terra com extraterrestres, mas que desta vez envolve religião na trama; uma boa mistura de ficção científica e horror.

O segundo volume traz contos dos organizadores, assim como de quatro autores portugueses:

Se Acordar Antes de Morrer, de João Barreiros, tem como personagem um robô programado para ser Papai Noel de loja, mas que acaba enfrentando inusitados clientes num Natal apocalíptico; é, sem dúvida, um dos melhores contos da antologia.

Saint-Claire Stockler mostra, em Às vezes eu os vejo, uma mulher que encontra estranhos seres numa cidade do interior; personagem e ambientação aqui garantem um ótimo conto, ainda que o final deixe a desejar.

Flor do Trovão, de Jorge Candeias, conta a história de uma sociedade alienígena e da sua crença na vinda de um salvador, neste caso, a personagem principal. Narrativa, personagem e cenário combinam com perfeição neste conto que tem um quê de fábula.

Na ficção científica Toque Invisível, de Alexandre Heradia, uma empresa desenvolve acidentalmente uma inteligência artificial. Apesar do tema batido e do enredo previsível em um primeiro momento, o conto tem um bom desfecho.

O Cheiro de Suor, de Eric Novello, apresenta um personagem perturbado – e com a habilidade de virar lobisomem –  que se envolve com o submundo do crime, na melhor tradição noir; é uma excelente mistura de fantasia com história policial.

Sacha Ramos, com A Rosa Negra, mostra um rapaz forçado a cuidar dos negócios da família e que deseja deixar aquela vida para trás. História com começo e desenvolvimento interessantes, mas com um final apressado que acaba por decepcionar.

A Casa de Um Homem, de Luís Filipe Silva, é uma ficção científica com uma ótima dose de ação, na qual um homem procura pela sua casa roubada. Os destaques do conto são a personagem principal e a ambientação opressiva.

Tibor Moricz mostra, em Eu te amo, papai, uma sociedade que explora crianças para gerar energia, até que uma delas  se rebela por um único motivo: encontrar o pai. A trama é muito bem conduzida, levando a um final inesperado e coerente com a história.

Uma Questão de Língua de André Carneiro, encerra o volume, com a trama de um homem tentando conquistar uma moça, apreciadora de livros raros.  O estilo e a narrativa são os pontos fortes  neste conto.

Além dos contos selecionados, vale ressaltar o ótimo trabalho de produção da editora, a começar pelas capas ilustradas por Roko. E para quem gostou da coleção, a Draco vai lançar um terceiro volume, desta vez organizado por Erick Santos Cardoso e com textos de dez autores – inclusive eu – na Fantasticon 2010 .