Resenha de O Outro Lado do Crime

Saiu a primeira resenha da coletânea O outro lado do crime — e destacando positivamente o meu conto hardboiled O que acontece em BOTtown ! Vale a pena ler o artigo do Alex André , do blog Lendo Muito, e conhecer a opinião dele.

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Lembrando que o livro já está à venda — que tal começar o ano lendo nove ótimas histórias?

O mais novo trabalho do detetive particular Simón Hermes é encontrar a esposa desaparecida de um alto executivo em Marte. Conforme se aprofunda na investigação, ele descobre o envolvimento da mulher em uma antiga religião, levando o detetive ao bairro de BOTtown, o lugar mais perigoso do planeta vermelho.

Em O Outro lado do Crime – Casos Sobrenaturais, a atmosfera de mistério das narrativas policiais se mistura com a aura insólita do fantástico, em histórias que vão testar sua coragem e seu poder de dedução. Você está convidado a embarcar nestes microuniversos peculiares e tentar desvendar cada um dos nove crimes apresentados ao lado dos organizadores Bruno Anselmi Matangrano e Debora Gimenes, e dos autores Fernanda Borges, James Andrade, Luis Eduardo Matta, Marcelo Augusto Galvão, Natália Couto Azevedo, O. A. Secatto e Vera Carvalho Assumpção. Você está preparado?

 

Retrospectiva de 2016

O ano está prestes a acabar, então chegou a hora da retrospectiva de livros, quadrinhos, games, séries e cinema.

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Fechei esse 2016 com a leitura de 50 obras, sendo a maior parte ficção fantástica (horror, fantasia e ficção científica), como aconteceu no ano passado — mas sobrou tempo para não ficção, principalmente livros que tratam de roteiros para quadrinhos e games:

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Caminho do Louco, de Alex Mandarino. Magia, tecnologia e teorias conspiratórias se mesclam nesta trama embalada por uma prosa fascinante. Mandarino estreia no mundo da literatura em grande estilo, como eu já esperava.

Old Man’s War, de John Scalzi. Uma ficção científica militar que tem gosto de blockbuster, com ação bem dosada e um humor legal. Fiquei com vontade de ler o resto da série.

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Full Dark, No Stars, de Stephen King. Nesta coletânea com quatro (ou cinco, se você tem a versão de bolso) histórias, King prova que é também mestre quando se trata de textos mais curtos (e bem menos cansativos) do que os “aparadores de porta” que ele costuma escrever.

Level Up!, de Scott Rogers (tradução de Alan Richard da Luz ). Livro recomendado para quem está dando os primeiros passos no mundo do game design ou simplesmente tem curiosidade em saber como os games são feitos.

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Li bastante HQ,  mesmo porque ainda tenho muuuuito material comprado no ano passado:

Saga – Deluxe Edition, vol. 1, roteiro de Brian K. Vaughan e arte de Fiona Staples. Finalmente li uma das HQs mais premiadas dos últimos tempos,  mistura de fantasia, ficção científica e romance, contando com o ótimo roteiro de Vaughan e a belíssima arte de Staples. Esta edição de luxo traz alguns extras, como o roteiro completo de uma das edições.

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O Despertar de Cthulhu, organizado por Raphael Fernandes. Quando eu pensava que a HQ  Rei Amarelo em Quadrinhos não poderia ser superada, eis que essa nova coletânea surge com ótimas histórias inspiradas no universo de H. P. Lovecraft.

The Manhattan Projects – vol. 1,  roteiro de Jonathan Hickman e arte de Nick Pitarra. Uma das histórias mais bizarras que li nos últimos anos, envolvendo diversos cientistas — como um Von Braun ciborgue, um Einstein de uma realidade paralela, um Oppenheimer com múltiplas personalidades —  em um Projeto Manhattan que não desenvolve apenas bombas atômicas.

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Minhas lista de games no Steam não para de crescer — sem contar os pacotões interessantes que aparecem no Humble Bundle:

Game of Thrones – A Telltale Games Series. (Android) Jogo obrigatório para os fãs do seriado, mesmo que parte da trama perca a graça quando você já sabe o que vai acontecer com os personagens que também estão na TV.

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Read Only Memories. (PC) Este jogo do gênero adventure tem uma trama até que instigante, ainda que deslize em alguns diálogos longos e cansativos. Mas vale jogá-lo pela trilha sonora, a ambientação cyberpunk e pelos personagens LGBT, que não são estereotipados ou panfletários.

Out There – Omega Edition. (Android) Não sou fã de jogos do tipo roguelike (ou seja, se o seu personagem morre, ele retorna ao início do game em um cenário gerado aleatoriamente), mas gostei desse space opera que mistura as mecânicas de exploração e de gerenciamento de recursos.

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Não assisti tantas séries como gostaria, mas ao menos consegui riscar alguns itens da minha lista:

Rick & Morty. Fazia tempo que não assitia uma animação tão divertida, uma espécie de paródia pervertida das aventuras vividas por Doc Brown e Marty McFly em De Volta para o Futuro.

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Stranger Things. Além da trama envolvente (inspirada em diversos filmes, séries e livros dos anos 80), o segredo do sucesso inesperado dessa série foram talentosos atores mirins no papel de heróis inocentes — afinal de contas, chega uma hora que a gente cansa de torcer pelo anti-herói à Walter White, né?

Westworld. Comecei assistindo com medo de que virasse um Lost da vida pela quantidade de mistérios que apareciam, mas se revelou uma das melhores produções do ano (e, se você gosta de games, vai entender a participação rápida de Steven Ogg, o Trevor Philips de GTA 5).

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Fui muito pouco ao cinema neste ano — porém, mais do que em 2015 –, deixando de assistir algumas películas que foram sucesso de crítica ou de público (ou ambos):

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Rogue One. Apesar da primeira parte se arrastar mais do que deveria, a segunda compensa, não só pela ação, mas também pelo desfecho que leva ao episódio 4 da saga de Star Wars .

Um Feliz e Próspero 2017 para todos! 🙂

Retrospectiva de 2015

Chegou a hora da retrospectiva do final de ano como faço aqui desde 2010, relacionando os livros que mais me chamaram a atenção. Desta vez, incluo também quadrinhos, games e séries de TV (atualização em 30/12: e cinema).

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Li mais histórias de horror, suspense e fantasia em 2015, tentando conhecer coisa nova nos gêneros, mas também procurei por autores mainstream de renome:

Iluminadas, de Lauren Beukes (tradução de Mauro Pinheiro). Curiosa mistura de thriller com viagem no tempo.

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Sword and Mythos, organização de Silvia Moreno-Garcia e  Paula R. Stiles. Antologia acima da média, com  histórias que misturam o gênero da Espada e Feitiçaria com a mitologia criada por H. P. Lovecraft, mas procurando ambientá-las em novos cenários (africano, asteca etc) e personagens mais diversificados.

Making Comics, de Scott McCloud. Obrigatório para quem aprecia quadrinhos, seja lendo ou fazendo.

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The Imago Sequence, de Laird Barron. Cult nos EUA, Barron ficou mais conhecido depois da série True Detective, que tem cenas inspiradas na sua obra (como no conto Bulldozer). Recomendado para quem gosta de Horror Cósmico.

Kafka on the Shore, de Haruki Murakami (tradução de Philip Gabriel). Primeiro livro que leio desse famoso autor, e não será o último. Não vai agradar quem espera por finais amarrados; o negócio aqui é aproveitar as personagens e situações bizarras.

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Com ajuda do Comixology e vários Humbles Bundles, li bastante HQ virtual, mas também comprei material impresso nacional de qualidade:

Scalped, com roteiro de Jason Aaron e arte de R. M. Guéra. Excelente mistura de noir com western contemporâneo, tudo embrulhado numa narrativa não linear.

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Clive Barker’s Next Testament, com roteiro de Clive Barker e Mark Miller, arte de Haemi Jung. Ainda que não tenha um final satisfatório, a HQ traz de volta o horror e humor de Barker, ilustrados por uma artista de manhwa.

Lazarus (volumes 1 ao 3), com roteiro de Greg Rucka e arte de Michael Lark. Distopia intrigante com uma ótima protagonista feminina (como é típico de Rucka).

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O Rei Amarelo em Quadrinhos, organização de Raphael Fernandes. Edição primorosa com histórias inspiradas (outras mais, outras menos) no livro de Robert W. Chambers.

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Neste ano, meus games foram divididos em jogadas no console, PC, tablet e celular:

Far Cry 4. Gameplay e história fascinantes neste jogo de mundo aberto inspirado na região do Himalaia.

Fallout New Vegas.  Ainda que pareça uma expansão de luxo de Fallout 3, o game se sustenta ao apresentar mais um pouco desse cenário atompunk pós-apocalíptico.

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Alien: Isolation. Survival horror obrigatório para quem gosta da franquia Alien, em especial o primeiro filme. Não recomendado para quem tem problemas cardíacos (é sério).

Monument Valley. Um dos puzzles mais bonitos que já vi e joguei.

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O que seria do mundo sem Netflix? Foi através dele que assisti a maior parte das séries do ano:

Star Trek: Deep Space Nine. Ao contrário das séries Clássica e Nova Geração, esta tem um clima sombrio, mostrando um ângulo diferente do universo criado por Gene Roddenberry.

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Demolidor (primeira temporada). Ótima adaptação do personagem das HQs da Marvel.

Brooklyn Nine Nine (primeira temporada). Recomendado para quem gosta do humor à The Office e Parks and Recreation.

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É isso. Vamos ver se da próxima vez faço uma categoria para cinema, pois este ano não consegui ver um filme na telona. Pois é, no penúltimo dia do ano consegui ver Star Wars – O Despertar da Força :).

Um Feliz e Próspero 2016 para todos!

Mais resenhas para Saltimbanco

Os sites e blogs parceiros da Editora Draco publicaram novos comentários do meu conto Saltimbanco — todos bem positivos!

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Atualização (12/05/2017): Para Laís Helena, do blog Sonhos, Imaginação & Fantasia, a história é “simples e concisa, mas traz uma pequena reviravolta no final”, ainda que tal reviravolta pudesse ter “mais impacto”.

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Atualização (03/05/2017): A Rudy, do blog Alegria de Viver e Amar O Que É Bom, comenta que “o conto é bem escrito e até um tanto tenebroso”.

Para o Dica do Leitor, a história é daquele tipo “que te faz piscar os olhos com força depois que termina de ler e ficar feliz de não estar nela (…)” e que tem “início, meio e fim”.

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Atualização (16/04/2017): O perfil literário @memoriasdaleitora gostou do conto e recomenda “a leitura para quem gosta de se surpreender”.

Já Adeola, do blog Mini Mundo Literário, achou o conto “rápido e surpreendente, com um pouco de suspense e terror”.

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Atualização (13/04/2017): Mais comentários!

  • Jacqueline Vasconcelos, do blog Papeando Livros, escreveu que “o conto me surpreendeu com a trama” (além disso, ela colocou na resenha uma foto que tem a tudo a ver 🙂 ) ;
  • como ganhar dinheiro em casacomo ganhar dinheiro em casaPara o Valeu, Gutemberg , a história “é surpreendente”, remetendo vagamente a um conto de Poe;
  • No Instagram, a Elaine, do @pageandseasons, escreveu que “o texto misterioso e muito bem escrito nos prende”;
  • Para @confissoesdeumabookworm, também no Instagram, “de forma excepcional o autor começa a mudar a atmosfera do conto para algo mais assustador e sombrio”, o que lhe “causou diversos sentimentos”;
  • Um conto que “entrega suspense com reviravoltas”: esta é opinião de Murilo Henrique Sanches, do GeekBlast.

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Atualização (10/04/2017)“Bem escrito” e com “personagens realmente interessantes”. Essa é a opinião do portal Gatilho, que deu cinco estrelas para a história.

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Atualização (09/10/2016): Rodrigo Rahmati — que também tem histórias publicadas pela Draco — recomendou o conto no seu blog.

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Atualização (17/01/2016): O Clube de Contos concedeu cinco estrelas para a história, comentando que a narrativa “se desenvolve para algo inesperado e mais sombrio”.

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Atualização (15/12/2015):  Gabi, do blog Reino da Loucura, se surpreendeu bastante com a história, afirmando que o leitor nem sente o tempo passar, “de tão fluida que é a escrita do autor”.

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Atualização (23/11/2015): “Bem-escrito e com um terror gradual”: essa é a opinião da Karen Alvares no Por Essas Páginas.

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Atualização (11/11/2015): No Beco Nerd (gostei desse nome :)), Victor Candiani elogiou a história, comentando ainda que “é um conto para ser lido de uma única vez, e se possível, mais de uma vez.”

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Atualização (02/11/2015): Camila Monteiro escreveu no blog Vida Complicada que Saltimbanco é um “conto delicioso de ler”.

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No Achando Histórias, Bárbara Valdez comenta que “a história (…) consegue unir duas emoções paradoxais (alegria e dor) de uma forma peculiar e sinistra”. Para Sheila Lima Wing, do Doce Sonho Alado, o conto “me impressionou de um jeito bom, conseguiu despertar adrenalina que tanto gosto de sentir quando acompanho um conto, livro, filme ou série”.

Já no Fabulonica, Juliana Lima comenta que “o conto, em poucas páginas, te faz sentir medo, raiva, pena e esperança (…) uma mistura, muito bem temperada, de realidade, suspense e humor”.  Por último, Letícia Delicor, do Lê Lendo Lido, foi direta e não perdeu tempo: “este conto é muito bom!” 🙂

Vale a pena visitar as páginas para conhecer as resenhas de outras publicações da Draco.

Resenha para Saltimbanco

Meu conto Saltimbanco — que pode ser lido gratuitamente em várias plataformas — continua sendo bem avaliado: desta vez, foi pelo site Only The Strong Survive.

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Na opinião de Verônica Inamonico, “o autor foi capaz de criar um enredo perfeito e de duração precisa, sem deixar faltar nada ao seu leitor” 🙂 Vale a pena ler o resto do artigo, que ainda resenha outros e-books também lançados pela Editora Draco.

Livros de 2014 – 1ª parte

Já estamos no segundo semestre do ano, então é hora de comentar alguns livros que chamaram a minha atenção (além de voltar a escrever no blog, agora com um novo visual).

Butch

Butch Fatale – Dyke Dick: Double-D Double Cross, de Christa Faust. Faust é considerada uma das melhores escritoras de ficção criminal da atualidade, criando personagens femininas que se aventuram no cenário de alguma subcultura. Foi assim em Moneyshot (pornografia), Choke Hold (artes marciais mistas) e, com este livro, o mundo LGBT (com ênfase no L). Butch Fatale é uma detetive particular de Los Angeles contratada para encontrar a namorada desaparecida da sua mais recente cliente. E como não podia deixar de acontecer em uma história criminal, ela descobre que a moça morreu de uma aparente overdose, para então envolver-se numa trama com assassinatos, política, chantagem e muito, muito sexo.

Fatale é uma espécie de versão lésbica do detetive hardboiled Mike Hammer, com direito até mesmo a uma secretária sexy. A diferença aqui fica com o humor (a começar pelo título do livro) e as cenas bem apimentadas de sexo, já que Butch nunca resiste a um rabo de saia. A trama tem ação em dose certa (apesar de uma perseguição no final que beira o absurdo…) e mostra não só parte da subcultura LGBT, mas também a de Hollywood.

Galveston

Galveston, de Nic Pizzolato (Scribner). Antes de criar a série True Detective, uma das grandes surpresas do ano na TV, Pizzolato escreveu em 2010 este livro que tem como cenário a cidade texana do título. O personagem principal é Roy Cady, um criminoso que descobre que tem câncer logo na primeira página, mas este será o menor dos seus problemas quando ele também descobre que alguém quer matá-lo.

Este é um típico noir, a começar pelo protagonista, um bandido calejado pela vida condenado por uma doença, e prosseguindo pelo clima fatalista que permeia o livro. Pizzolatto sabe contar uma história instigante – ainda que ela se arraste por alguns capítulos do meio, como se ele embromasse só para que o livro ficasse maior -, porém, pode decepcionar os leitores que esperam reviravoltas; na realidade, chega a ser previsível em determinado ponto. O forte mesmo aqui são os personagens, pessoas que vivem no submundo da sociedade e tentam se reerguer de alguma forma, lembrando em vários momentos as obras de David Goodis, um dos grandes nomes do gênero, com obras como Atire no pianista. Para os fãs da série de TV interessados neste trabalho de Pizzolato, vale notar alguns detalhes que ele usa na trama e que depois aproveitaria em True Detective, incluindo o fato da história se passar em duas épocas distintas.

last

Last Days, de Brian Evenson (Underland Press). Este foi um dos livros mais bizarros que li nos últimos anos, a começar pela premissa na qual Kline, ex-policial que teve a mão amputada por um criminoso, é forçado a solucionar um assassinato em uma seita formada por mutilados.

A história começa bem, em parte pela excentricidade da situação em que Kline se envolve e com a recusa dos seguidores em colaborarem com a investigação, já que a seita tem uma curiosa ordem hierárquica: quanto mais mutilada a pessoa, mais ela é respeitada pelos seus pares. Porém, a trama perde a força na última metade quando mais bizarrices surgem e que nem sempre são bem aproveitadas.

Evenson tem uma prosa lacônica que lembra a de Dashiell Hammett, o que não é surpresa, pois o famoso autor hardboiled foi uma das inspirações para o livro, conforme o próprio Evenson explica ao final. A obra conta ainda com um interessante prefácio escrito por Peter Straub (Os Mortos-Vivos, Koko), mas cheio de spoilers.

Livros de 2013 – 2ª parte

Chegou o último dia do ano, então é hora da lista de livros de 2013 e das estatísticas aleatórias. Foram 42 lidos, o que significa um aumento de 40% se comparado com o ano passado, sendo 22 na forma de ebooks através do Kindle. Li muita não-ficção (11) e ficção criminal/suspense (17), em parte devido ao projeto em que estou envolvido, e o restante se dividiu em horror, fantasia, ficção científica e obras que não se encaixam em rótulos.

Abaixo, meus comentários breves de alguns dos livros:

suicidas

Suicidas, de Raphael Montes (Benvirá). Ótimo livro de estreia desse jovem autor, mostrando talento em criar personagens e uma trama amarrada e empolgante, além de saber usar as convenções do gênero (como a do “caso da sala fechada”, tradicional na literatura policial).

Blood on the desert/ A house in Naples, de Peter Rabe (Stark House). Rabe foi um dos grandes nomes dos paperbacks (livros de bolso) americanos dos anos 50/60. Nesta edição dupla, a primeira história é um suspense de espionagem sem graça; já a segunda mostra o talento de Rabe em tecer uma trama noir.

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Fake I.D., de Jason Starr (Hard Case Crime). Um noir na tradição de obras como Assassino em Mim, com um protagonista sociopata fazendo de tudo para conseguir o que quer. Não só o personagem é interessante, mas a trama é ágil.

Kill Whitey, de Brian Keene (Cemetery Dance). O que começa como um suspense tradicional (jovem se apaixona pela prostituta de um cafetão violento e fica obcecado) se transforma em um história sobrenatural lá pelo meio do livro. Keene é conhecido nos EUA por suas tramas de horror e aqui ele não decepciona quem gosta de descrições sanguinolentas.

E é isso. Vamos ver se consigo comentar mais livros da próxima vez.

Feliz e Próspero 2014!