Encyclopedia of Weird Westerns

Para muitos, o faroeste é um gênero literário e cinematográfico que está com o pé na cova já faz algum tempo – afinal, a sua Era de Ouro acabou por volta dos anos 70 e, tirando um filme ou outro que é premiado (caso de Os Imperdoáveis), o western não tem tanta relevância nestes dias. Mas existe um subgênero que mostra a possibilidade do faroeste não se prender a um cenário específico (Estados Unidos) ou época (século XIX), como mostra Paul Green na sua Encyclopedia of Weird Westerns: Supernatural and Science Fiction Elements in Novels, Pulps, Comics, Films, Television and Games (McFarland & Co).

Green – um quadrinista britânico entusiasta de faroestes –  pretendeu catalogar toda a produção disponível em seis tipos. Assim, temos o Weird Western puro (aquele com a presença do sobrenatural e fantasia, o que inclui vampiros, fantasmas, zumbis etc.), Weird Menace (tramas sobrenaturais, mas com uma explicação racional por trás), Science Fiction Western (tramas com temas ou elementos sci-fi, como tecnologia avançada ou extraterrestre), Space Western (histórias no espaço com elementos ou temas do faroeste), Steampunk (presença da tecnologia retrofuturista vitoriana) e Weird Western Romance (tramas românticas em um cenário do Velho Oeste envolvendo viajantes do tempo, espíritos, anjos etc.). Como se vê, é uma definição bem ampla e que garante vários exemplos.

Depois de uma longa – e inicialmente tediosa –  introdução para mostrar as origens do faroeste, Green dispõe o material de A a Z, com ano de lançamento, categoria (literatura, revista pulp, filme, série de TV, programa de rádio, desenho animado, HQ, game, RPG) e informações adicionais. Além disso, o livro traz também entradas para autores importantes do gênero como Edward Ellis (pioneiro da ficção científica americana com seu The Steam Man of Prairies, lançado em 1868), Joe R. Lansdale, Robert E. Howard, entre outros.

Ainda que o objetivo de Green fosse abranger todo tipo de weird west, existe uma ênfase nos quadrinhos, com verbetes mais elaborados e ilustrações (principalmente de material europeu), algo que não ocorre tanto com filmes e seriados para TV (muitos contando apenas com elenco e uma sinopse burocrática). Enquanto na categoria de desenhos animados existe uma prevalência de animes de ficção científica (caso de Cowboy Bebop), no RPG é quase uma catalogação do premiado jogo Deadlands e suas inúmeras expansões e derivados. Já na literatura, Green mostra que o gênero data do século XIX, marcando presença primeiro em dime novels e depois nos pulps do século seguinte.

Alguns dos artigos trazem nomes de velhos conhecidos da cultura pop, caso do personagem Jonah Hex ou da série televisiva (e depois filme) The Wild Wild West. Outros podem até não ser obscuros mas são definitivamente bizarros, fazendo jus ao gênero, caso de Cannibal! The Musical, filme que mistura canibalismo, índios japoneses e números musicais no Velho Oeste, ou do livro steampunk Zeppelins West, de Joe R. Lansdale, no qual Buffalo Bill – ou melhor, a sua cabeça conservada numa jarra com uísque e urina de porco – procura pelo Monstro de Frankenstein para assim descobrir um jeito de unir-se a um novo corpo, numa história que tem ainda a presença de Wild Bill Hickok, Annie Oakley, Touro Sentado, Capitão Nemo, Dr. Moreau, entre outros. Outra curiosidade é que Green mostra que existe produção cinematográfica bizarra não só em alguns spaghetti western da Itália, mas também no México, como a série El Jinete sin Cabeza, ou na Dinamarca, com a animação de fantoches Zombie Western: It came from the West.

O ponto negativo do livro fica por conta do preço alto para uma publicação sem capa dura e com ilustrações em preto e branco. Também chama a atenção que Green cite alguns exemplos extremos – como o mangá Solar Boy Django, uma trama de vampiros na qual a única ligação com o western são os nomes dos personagens (Django, Sabata etc.) – que parecem ter o propósito apenas de aumentar o número de páginas do livro.

Ainda assim, é uma obra que vale a pena para os aficionados ou mesmo curiosos. Uma vez que foi lançada no final de 2009, a enciclopedia não possui entradas de trabalhos mais recentes, como os quadrinhos Vampiro Americano ou a expansão Undead Nightmare do aclamado game Red Dead Redemption; felizmente, Green mantém um blog que serve de complemento ao livro.

Vale lembrar que algum material weird west estrangeiro já foi publicado no Brasil, como mostrou o escritor e jornalista Romeu Martins em uma série de posts no blog Cidade Phantástica, incluindo os excelentes Mágico Vento e Santo dos Assassinos. Em breve, o gênero terá representantes verdadeiramente brasileiros com o lançamento das antologias Cursed City (Estronho) e Sagas – Estranho Oeste (Argonautas), e do romance O Peregrino – Em Busca das Crianças Perdidas, de Tibor Moricz (Draco), entre outras novidades.

Anúncios

7 opiniões sobre “Encyclopedia of Weird Westerns

  1. Thanks for the review of my book Marcelo. I’m interested to see you mention the emergence of Brazilian Weird West literature. I’ll feature it on my blog.

  2. Pingback: Weird Westerns From Brazil « Encyclopedia of Weird Westerns

  3. Pingback: Sagas Volume 1 – Espada e Magia « Galvanizado

  4. Pingback: Lançamento de Sagas Volume 2 – Estranho Oeste « Galvanizado

  5. Pingback: Nova história no Contos Do Dragão « Galvanizado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s