Leituras de Janeiro

Em um mês de poucas leituras, vale destacar um pós-cyberpunk e um noir:

Cyber Brasiliana, de Richard Diegues

Em um mundo onde as novas potências se encontram agora abaixo da linha do equador, as pessoas vivem a maior parte do tempo em um cenário virtual  cujo destino, depois de ter sua existência ameaçada, repousa nas mãos  de um guerreiro, um cientista e uma programadora.

Além de escritor e editor da Tarja Editorial, Richard Diegues é desenvolvedor de sistemas para computadores – e essa faceta fica explícita neste romance de ficção científica. Narrado através de vários pontos de vista, esse livro pós-cyberpunk tem uma trama ágil, entremeada por explicações técnicas para o funcionamento do fascinante Hipermundo – o cenário virtual onde se passa boa parte da  história – e conta com personagens interessantes, como é o caso de Kamal. O linguajar técnico, porém, às vezes se torna um problema ao comprometer a fluência do texto, principalmente na parte final, podendo afastar alguns leitores iniciantes no gênero. Sente-se falta também de um maior detalhamento do mundo real da República Brasiliana e das outras nações desta realidade alternativa.

Para quem gostou da ambientação, vale a pena ler os contos presentes na coleção Paradigmas e na antologia Cyberpunk, todas da mesma editora.

Fright, de Cornell Woolrich

Prescott Marshall tem um bom emprego e uma noiva adorável , mas uma noite de bebedeira o leva a um crime e, a partir daquele dia, ele irá viver em um mundo de medo e paranoia.

Autor de alguns clássicos noir como Casei-me com um morto e A noiva estava de preto, além do conto que serviu de base para o filme Janela Indiscreta, Woolrich era um mestre em criar cenas de suspense e dono de um estilo poético, que inspirou escritores como Ray Bradbury. Em Fright – livro que estava fora de catálogo há mais de 50 anos e foi reeditado pela editora Hard Case Crime -, o tom de fatalismo permeia a história como em todo bom noir, mas a trama se estende além da conta; fica-se com a impressão de que ela funcionaria melhor com metade das páginas. O epílogo também não ajuda, forçando uma explicação para uma situação da trama; ainda assim, é um bom exemplo do trabalho de Woolrich, mas longe do seu melhor.

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