Livros de 2010 – 1ª Parte

Quando comecei com o blog,  um dos meus objetivos  era resenhar livros, filmes, quadrinhos e games com uma certa frequência.

Mas como se vê pelos últimos posts, só ficou mesmo na intenção. Por isso, a partir de agora vou adotar um novo formato. Em vez de resenhas, farei comentários curtos de vários livros/fimes/hqs/games etc  – sejam lançamentos, clássicos ou qualquer coisa entre os dois – em um mesmo post. Nada impede que, vez ou outra, apareça por aqui um comentário maior.

E para começar, no espírito do final de ano,  nada melhor do que alguns livros lidos em 2010. Nesta primeira parte, temos:


The Harrowing, de Alexandra Sokoloff

Cinco estudantes, forçados a passar o feriado de Ação de Graças nos alojamentos desertos da universidade, se deparam com o fantasma de um antigo aluno.

Sokoloff, roteirista de formação, sabe conduzir bem a trama vira-página neste seu romance de estreia, apesar dos personagens que beiram o estereótipo: temos a  virgem tímida, o nerd cético, a piranha sedutora, o atleta garanhão e o músico angustiado. É uma  mistura de Poltergeist com O Clube dos Cinco,  mas que em alguns momentos lembra outros clássicos do gênero do horror, como A Casa Infernal (Richard Matheson).  No final das contas, o destaque da trama fica para o vilão, oriundo de uma mitologia não muito frequente no horror. De qualquer modo, é  diversão agradável por algumas horas.

Darker than you think, de Jack Williamson


O repórter de uma cidadezinha tenta descobrir o que está matando seus antigos amigos, recém-chegados de uma expedição arqueológica no exterior, enquanto se envolve com uma bela e misteriosa mulher.

Esta história de fantasia e horror, publicada originalmente como um conto num pulp em 1940 e depois lançada como romance, foi escrita por um nome mais associado à ficção científica – Williamson cunhou o termo “engenharia genética” numa história sua e foi o segundo Grand Master of Science Fiction da SFWA. Em Darker (…), ele tece uma trama que mistura bruxaria, lobisomens e uma guerra milenar contra a humanidade, tudo regado com explicações científicas. Alguns trechos da história parecem datados hoje em dia  – a  parte científica está mais para pseudociência – e um ou outro personagem pode parecer raso em matéria de personalidade, mas Williamson sabia manter o suspense e o interesse do leitor.  A reedição lida é de 1999 , acompanhada pelas belas ilustrações internas de David G. Klein.

Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro

Hector, um passarinho aspirante a escritor, e seu amigo rabugento Afonso são os protagonistas desta edição que coleciona novas tiras em preto & branco e outras já conhecidas do site.

Estevão Ribeiro, autor dos romances Enquanto ele estava morto… e A Corrente,  mostra as aventuras da dupla com um humor elegante, sem precisar apelar, e que conta com um ótimo elenco de coadjuvantes. O livro é dividido em seções como “Coisas que Hector Odeia em Paulo, o Coelho” ou “Empregos  Humilhantes de Hector” (meu favorito).  Mas o destaque mesmo fica pelos voos altos do sonhador Hector e as ranhetices do pessimista (ou seria realista?) Afonso trazendo-o de volta ao solo.

How to Write Horror Fiction,  de William F. Nolan

Lançado em 1990, este é um típico manual para se escrever, tão comum nos EUA, onde se tem uma visão mais pragmática da criação literária.

Nolan é um autor veterano de ficção científica, fantasia e horror –  mais conhecido por aqui por ser coautor da FC Logan’s Run,  origem do filme Fuga do Século 23 – e que mostra em capítulos curtos o que  se deve fazer para escrever horror: desde de onde tirar ideias até caracterização, passando por construção do suspense. Verdade que certas partes estão desatualizadas – como a relação de fanzines e revistas, a maioria já defunta – e que algumas dicas são encontradas espalhadas pela internet, mas vale a pena pelo apêndice que lista antologias clássicas e outros livros de referência para os estudiosos sérios.

Curioso também é o capítulo que discute a validade do splatterpunk, ou seja,  o uso de violência exacerbada em histórias do gênero, em detrimento ao horror mais sutil, no qual tudo é mais sugerido do que mostrado. Tal discussão era muito comum no final dos anos 80, quando o gênero do horror começava a perder sua força; hoje, com o chamado torture porn por aí, a discussão parece inútil.

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2 opiniões sobre “Livros de 2010 – 1ª Parte

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