Audrey’s Door

Casas mal-assombradas já foram exploradas à exaustão, tanto na literatura quanto no cinema de horror; basta uma olhada no verbete da Wikipedia para verificar que casarões habitados por fantasmas e/ou demônios estão por aí desde a época do romance gótico. Este é um dos motivos para que seja difícil produzir algo realmente inovador no gênero.

Sarah Langan sabe bem disso. No prefácio de Audrey’s Door, romance vencedor desse ano do  Bram Stoker Award – prêmio da Horror Writers Associoation (HWA) -, ela já deixa claro que a obra foi inspirada pelos clássicos A Assombração da Casa da Colina ( Shirley Jackson), O Iluminado (Stephen King) e O Bebê de Rosemary (Ira Levin). Por isso mesmo que Langan não se preocupa em reinventar a roda, mas sim contar uma boa história.

A personagem principal é Audrey Lucas, uma arquiteta do interior dos EUA e que agora mora em Nova York. Recém-separada do namorado e portadora de transtorno obsessivo-compulsivo, ela é atraída pelo aluguel barato de um apartamento no Breviary, um prédio luxuoso erguido no estilo do Naturalismo Caótico. É ali, vivendo numa estrutura de ângulos estranhos e aparentemente impossível de ficar em pé, que a já transtornada Audrey vai ter alucinações e sonhos bizarros envolvendo a construção de uma porta, enquanto é observada com atenção pelos habitantes idosos do lugar.

Langan é uma escritora de talento – como eu já havia verificado em The Keeper, a história de uma mulher que assombra uma cidadezinha decadente – que não precisa usar de truques baratos para assustar ou manipular o leitor. Os pontos fortes aqui são a caracterização de Audrey e a recriação da história macabra do Breviary  e seus moradores através de artigos de jornais, cartas etc.  São Audrey, suas manias e sua relação com o prédio que conduzem a trama nem tão original.

Ainda que não seja perturbador como The Keeper, Audrey’s Door é uma ótima leitura. O livro é menos horror e mais suspense; se alguém espera por sustos manjados, melhor procurar em outro lugar.

É uma pena que Langan seja ainda desconhecida no Brasil. Vencedora por três vezes do Bram Stoker e  vista com bons olhos pela crítica não-especializada, já era hora de alguma editora publicá-la por aqui.

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7 opiniões sobre “Audrey’s Door

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