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por Marcelo Augusto Galvão

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Posts de abril \29\UTC 2011

Vencedores do 2011 Edgar Awards

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 29/04/2011

Foi anunciada ontem a lista dos vencedores do Edgar Awards, um dos prêmios mais importantes do gênero policial, concedido anualmente pela Mystery Writers of America :

Melhor Romance

The Lock Artist - Steve Hamilton (Minotaur/Thomas Dunne Books)

Melhor Romance de Estreia

Rogue Island - Bruce DeSilva (Tom Doherty Associates – Forge Books)

Melhor Romance em Brochura

Long Time Coming - Robert Goddard (Random House – Bantam)

Melhor Não-Ficção 

Scoreboard, Baby: A Story of College Football, Crime and Complicity - Ken Armstrong and Nick Perry (University of Nebraska Press – Bison Original)

A lista completa, incluindo os concorrentes, pode ser lida aqui.

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Lançamento de O Castelo das Águias

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 25/04/2011

Nesta terca, 26/04, a Editora Draco lança mais um livro de fantasia, desta vez da autoria de Ana Lúcia Merege (O Caçador, O Jogo do Equilíbrio).

O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.

Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.

Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

Sobre a autora

Ana Lúcia Merege

descende de fenícios do Líbano e de Al-Gharb. É escritora, bibliotecária, articulista e mediadora de leitura. Escreveu os livros de ficção O Caçador (2009) e O Jogo do Equilíbrio (2005) e o ensaio Os Contos de Fadas (2010), além de contos e artigos. Participa de Imaginários vol. 1 (2009) com o conto A Encruzilhada, passado no mesmo universo deste livro. BLOG castelodasaguias.blogspot.com

Além da sessão de autógrafos, haverá distribuição de marcadores e os convidados também concorrem ao sorteio de uma camiseta com a estampa da capa do livro.

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Sagas Volume 1 – Espada e Magia

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 19/04/2011

Quem gosta de histórias de Espada e Feitiçaria – o subgênero da Fantasia que se tornou popular a partir dos pulps dos anos 30 – sabe que ação e aventura são elementos fundamentais numa boa trama do tipo. Neste ponto, Sagas Volume 1 – Espada e Magia (Argonautas) não decepciona o leitor.

Lançada no final do ano passado, a antologia reúne quatro noveletas. Cesar Alcázar abre o volume com Lágrimas do Anjo da Morte, uma  história que se passa na Irlanda medieval que, apesar da presença do cristianismo, ainda tem influência da mitologia celta. O personagem principal é Anrath, mercenário perturbado pelo seu passado de lutas e que tem a vida salva por uma banshee, criatura do folclore irlandês, após ser traído pelo seu empregador. Além da instigante ambientação, outro ponto forte do conto é a narrativa movimentada.

A Cidadela de Elan conta a aventura de Kira, uma princesa guerreira que deve cumprir uma missão especial em uma cidade dominada por ladrões. A prosa rica em símiles de Georgette Silen (Lazarus) conduz muito bem a trama, com as cenas intensas de luta garantindo ótima leitura nessa história de segredo e intriga, tornando-a um dos destaques da antologia.

Outro destaque é A Dama da Casa de Wassir, de Rober Pinheiro. Ambientado no mesmo universo do livro Lordes de Thargor, a história traz o príncipe Atha’ny que, forçado a se casar para selar uma aliança entre dois clãs, deve agora resgatar um poderoso artefato místico. Apesar da estranheza inicial provocada pelo excesso de palavras da língua do universo de Thargor, o conto é bem desenvolvido e deixa um gancho ao final, despertando a vontade de conhecer novas aventuras naquele mundo.

Sem Lembranças daquele Inverno encerra o livro. Escrito por Duda Falcão, o conto mostra um mago contratando os serviços do cínico mercenário Atreil para recuperar uma joia mágica, roubada por uma feiticeira. É um conto ágil, mas que funcionaria melhor se certas cenas tivessem sido mostradas – fosse por pensamentos, sentidos e emoções dos personagens -, e não meramente narradas, o que acabou por enfraquecer a trama.

Vale destacar também o prefácio de Roberto de Sousa Causo, mostrando a origem  do gênero, além da belíssima capa de Nate Milliner e o caprichado projeto gráfico de Roberta Scheffer.

Sagas Volume 1 – Espada e Magia mostra que a Argonautas começou com o pé direito no mundo literário. A editora lançará em breve um volume dedicado ao Weird West, chamado apropriadamente de Estranho Oeste, e um outro com o tema Bruxaria.

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Guerreiros de Ferro e Galáxia S.A.

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 16/04/2011

Quem acha que jogos de tabuleiro se resumem aos veteranos Banco Imobiliário – na realidade, uma cópia do americano Monopoly, criado na década de 30 – ou War – outra cópia, desta vez do Risk, inventado nos anos 50 -, pode ficar surpreso em conhecer a variedade que existe na Europa e EUA, com jogos usando as mais diversas mecânicas e temas – horror, fantasia, cenários históricos etc. O mais legal é que agora o Brasil começa a  lançar jogos criados por brasileiros e usando a ficção científica como temática. Os exemplos a seguir são da Riachuelo Games:

Guerreiros de Ferro – Era Atômica é um jogo de guerra que tem como cenário uma Segunda Guerra Mundial que se prolonga até a década de 50. Além disso, a Terra foi invadida por alienígenas, transformando o planeta em um lugar apocalíptico.

Galáxia S.A. é um jogo de construção de um império econômico estelar, com os jogadores disputando setores da galáxia, adquirindo o direito de exploração de planetas que produzem diversos bens para vendê-los no mercado intergaláctico.

Os dois jogos foram lançados na Abrin - Feira Nacional de Brinquedos e em breve estarão disponíveis nas lojas.

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Indicados ao 2011 Thriller Awards

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 15/04/2011

A  ITW (International Thriller Writers) divulgou os indicados ao Thriller Awards deste ano:

Melhor Romance (lançado em capa dura)

Michael Connelly – THE REVERSAL (Little Brown)
Jeffery Deaver – EDGE: A NOVEL (Simon & Schuster)
Brian Freeman – THE BURYING PLACE (Minotaur)
Mo Hayder – SKIN (Grove)
John Sandford – BAD BLOOD (Putnam)

Melhor Romance (lançado em brochura)

Robert Gregory Browne – DOWN AMONG THE DEAD MEN (St. Martin’s)
Max Allan Collins and Matthew Clemens – YOU CAN’T STOP ME (Pinnacle)
J.T. Ellison – THE COLD ROOM (Mira)
Shane Gericke – TORN APART (Pinnacle)
John Trace – THE VENICE CONSPIRACY (Hachette Digital)

Melhor Romance de Estreia

Carla Buckley – THE THINGS THAT KEEP US HERE (Random House)
Paul Doiron – THE POACHER’S SON (Minotaur)
Reece Hirsch – THE INSIDER (Berkley)
Thomas Kaufman – DRINK THE TEA (Minotaur)
Chevy Stevens – STILL MISSING (St. Martin’s)

Melhor Conto

Mike Carey – “Second Wind” (THE NEW DEAD, St. Martin’s)
Michael Connelly – “Blue on Black” (Strand Magazine)
Richard Helms – “The Gods for Vengeance Cry” (Dell Magazine)
Harley Jane Kozak – “Madeeda” (CRIMES BY MOONLIGHT: Mysteries from the Dark Side, Berkley)
Nicholas Kaufmann – “Chasing the Dragon” (ChiZine Publications)
Mickey Spillane e Max Allan Collins – Long Time Dead (Strand Magazine)

Os vencedores serão conhecidos na convenção ThrillerFest VI, realizada em Nova York entre os dias 6 e 9 de julho.

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Augúrio

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 05/04/2011

Fausto Aurélio Belisário, comandante da Segunda Legião Augusta, sorriu com a notícia que acabara de ouvir. O homem ao seu lado continuou a falar:

- Os revoltosos vivem em Drwgg, uma cidade a dois dias de marcha, senhor – Cornélio Félix relatou o informe de um dos espiões infiltrados no oeste da Bretanha. Momentos antes, Félix havia comunicado ao seu superior hierárquico que os silures, uma tribo nativa da região, preparavam uma nova rebelião contra o Império Romano.

De uma varanda coberta, Belisário observava dezenas de legionários exercitando-se no pátio exterior do forte de Glevum. Uma chuva torrencial caía, algo bem conhecido dos romanos desde que as tropas do então imperador Cláudio invadiram aquela ilha úmida, vinte e quatro anos atrás. A frequência era quase diária, principalmente no começo do verão.

Como comandante da legião, Belisário podia suportar intempéries diversas. O que ele não tolerava eram homens incapazes de governar.

Era o caso do atual procônsul da província da Bretanha. Sem experiência militar anterior, Marco Trebélio Máximo decidira continuar o trabalho dos seus antecessores, consolidando o poder sobre as tribos já conquistadas e fazendo uma ou outra concessão para agradar aos nativos, ao invés de batalhar por novos territórios. Transformara a ilha em um lugar seguro para o império.

E em um completo tédio para os legionários. Sem combates, não havia butim dos inimigos para complementar os salários das legiões. O descontentamento entre soldados e oficiais era cada vez maior; uma insurreição poderia estourar a qualquer momento entre as fileiras romanas.

Felizmente, havia os silures, habitantes das montanhas que tomavam conta da maior parte da paisagem. Aquele povo, de pele mais escura que a dos outros nativos, era famoso por sua beligerância; ao longo de quase três décadas de ocupação, os romanos nunca conseguiram derrotá-los por completo. Na opinião de Belisário, faltava alguém de pulso firme para lidar com os revoltosos. O comandante que eliminasse aquela resistência seria recompensado à altura por Nero, o sucessor de Cláudio.

Um relâmpago cortou o céu acinzentado, dividindo o firmamento em dois por um breve momento. Belisário sorriu.

- Isto é um bom sinal, Félix – ele disse para o segundo em comando – Marte ouviu nossas preces.

#

Os brados de guerra dos silures ecoavam pelas montanhas, suas espadas e lanças chocando-se contra os gládios e escudos dos legionários. Da retaguarda e protegido por soldados, Belisário observava o seu objetivo, localizado no topo de um morro rochoso: Drwgg, cercada por fossos, paliçadas e muros de pedra. Há mais de seis horas que os legionários tentavam invadi-la; cerca de quinhentos guerreiros, ostentando pinturas vermelhas de guerra pelos corpos, atacavam com tenacidade os três mil invasores. A chuva gelada, nunca bem-vinda, era agora inimiga dos romanos: tornara escorregadias as rochas do monte e num lodaçal a única estrada de acesso.

Soldados retrocediam das suas posições, passando por cima dos cadáveres dos seus companheiros, mutilados pelas lâminas dos silures. Um canto monocórdico soava a partir da cidade fortificada, propagando-se pelo campo de batalha.

Vendo tudo aquilo, Belisário lembrou-se das palavras de Plínio Ambrósio.

- Não vá – o sacerdote avisara, dois dias atrás. O homem de tez pálida encontrava-se no templo dedicado ao culto do imperador, no forte em Glevum. Nas mãos, levava uma tigela de barro.

- É o que os deuses anunciam através deste sacrifício? – Belisário aproximou-se de Ambrósio e olhou para o interior da vasilha, na qual as entranhas de uma ave recém-abatida repousavam; o cheiro de sangue tomava conta do templo pequeno. Obedecendo a uma tradição de séculos, Belisário consultara o vidente antes de partir para a batalha.

- Em parte, sim – A mão de Ambrósio revolveu as vísceras sem pressa, até retirar um diminuto coração rubro. – Mas também tenho visto maus sinais ao redor do forte.

O sacerdote observou o coração com a atenção que um joalheiro devotaria a uma pedra preciosa.

- Corujas empoleiradas em árvores, por exemplo. Corvos voando em círculos sobre o forte. – ele abriu os dedos e o órgão da ave afundou na tigela com um som flácido – E tem o meu pesadelo.

- Não tem dormido bem? – Belisário reparou nas olheiras da cor de carvão do homem.

- Há dias que tenho o mesmo sonho – o sacerdote disse, seu olhar fixo na vasilha – São imagens de uma cidade de edifícios tão colossais que fariam Roma parecer uma aldeia. O sol brilha forte no alto, iluminando as imensas ruas desertas e fazendo com que as sombras dos prédios negros alastrem-se em direção do Leste.

Um leve tremor agora atingia as mãos de Ambrósio.

- De repente, a noite surge. E, ainda assim, vejo manchas enormes rastejando por um céu de estrelas que desconheço por completo. O único som ali é um cântico que ecoa pela cidade de pedra.

- Você precisa descansar – Belisário sabia como videntes geralmente tinham uma sensibilidade acima do normal – Esta é uma ótima oportunidade que tenho – ele pigarreou – que o império tem de esmagar estes nativos para sempre. Espero que não tenha comentado seus augúrios com qualquer um dos meus homens.

- Nada falei, mas isto não impede que eles conheçam os boatos que ouvi. – Ambrósio deixou a tigela sobre uma mesa – Dizem que os silures de Drwgg foram banidos da tribo principal por abandonarem a adoração de suas divindades, depois que um forasteiro surgiu divulgando um novo culto.

O sacerdote virou-se para Belisário.

- O estrangeiro tem cicatrizes por todo o rosto e a pele mais escura que a dos nativos, sendo chamado por eles de “Homem Negro”. Afirma ser o mensageiro de deuses poderosos e prometeu que, em troca de devoção absoluta, Drwgg seria protegida contra qualquer ataque.

O comandante balançou a cabeça.

- Tolice – disse e viu o outro homem fazer uma careta ligeira, evidentemente desgostoso com Belisário – Porém, se você faz tanta consideração, posso até realizar uma evocação.

Ele se referia ao ritual religioso no qual as divindades de uma cidade eram convidadas a abandoná-la, facilitando a conquista pelos romanos e, em troca, ganhavam a garantia de que seriam abrigadas e adoradas em Roma; a lenda contava que Cartago e a cidade etrusca de Veios foram conquistadas desse jeito. Belisário prosseguiu:

- Mas tenho certeza que será desnecessário.

- Senhor! – a voz de Félix trouxe Belisário de volta à batalha. O comandante viu o segundo em comando aproximar-se ofegante. – Temos que nos retirar.

Belisário, cenho franzido, o encarou.

- E por que nós faríamos isso?

- Nossas perdas estão altas e não conseguimos avançar. Não sei como, mas os silures parecem mais resistentes do que o normal. – Um estrondo de trovão soou no céu cinza, abafando por um instante o barulho do embate. A cantoria na cidade, no entanto, aumentou de intensidade. – Vi um deles ser trespassado por uma lança e mesmo assim continuar a lutar, como se nada tivesse acontecido, sem qualquer emoção no rosto, só tombando quando o degolaram. Há um boato entre nossas fileiras de que essa cantoria é parte de uma cerimônia para sacrifício dos soldados capturados.

- Não importa – Belisário resmungou, pensando se o soldado tinha conversado com Ambrósio. – Nós temos que tomar aquele morro e é o que faremos para -

Mas Félix não prestava atenção. Ao invés disso, falou:

- O que aconteceu com o céu?

Belisário seguiu o olhar de Félix. Nuvens cinzas, prenhes de água, desciam para quase tocarem o solo, criando uma névoa densa em volta dos romanos. O dia tornou-se noite em questão de segundos.

Novos trovões soaram, desta vez prolongados e semelhantes aos rugidos de alguma fera.

Foi quando Belisário viu as quatro silhuetas.

Inicialmente, pensou que fossem nuvens, mais escuras e compridas que as outras. Mudou de idéia ao ver uma película viscosa cobrir toda a extensão dos seus corpos negros e gigantescos, agora sólidos e sustentados no ar por duas asas de aparência coriácea. As criaturas revolviam-se com agilidade nos céus.

Os trovões voltaram e o romano percebeu a origem deles: aqueles seres comunicavam-se através daqueles sons cavernosos, exibindo presas do tamanho das lâminas de gládios.

E então eles mesclaram-se nas nuvens e desapareceram.

E os gritos desesperados dos soldados começaram, atravessando a neblina e chegando aos ouvidos de Belisário.

- Nós precisamos nos retirar! – Félix disse, o tremor na voz indicando que ele também vira as criaturas.

O comandante sentiu as entranhas encolherem.

- Nunca – Belisário respondeu. Aquilo significaria o fim da sua carreira; nada de recompensas ou de desfile triunfal pelas avenidas de Roma.

Somente desgraça.

- O senhor precisa fazer alguma coisa, antes que seja tarde demais!

Outros gritos ecoaram de dentro da neblina, apenas para serem silenciados abruptamente. O vento soprou, trazendo o cheiro de sangue.

A breve imagem daquelas criaturas atravessou a mente de Belisário por um momento.

Sim, ele tinha que fazer algo. Algo que fora realizado em Veios e Cartago, centenas de anos atrás.

Respirando fundo, Belisário desembainhou a espada. Empunhando-a na direção de Drwgg, agora escondida pela névoa, ele começou a prece:

- Sob sua liderança, ó poderoso Marte, e inspirado pela tua força, eu avanço para destruir esta cidade e a ti prometo um décimo dos despojos.

As gotas de chuva gelada atingiam o corpo do romano como um chicote.

- Ao mesmo tempo, rogo às divindades que habitam Drwgg a abandoná-la e nos acompanharem até Roma, onde um templo será erguido para que sejam homenageadas, persistindo assim sua veneração.

E dizendo isso, Belisário abaixou a espada.

O som da batalha se dissipou, junto com a neblina. A chuva continuava a cair, mas não intensa como antes.

Belisário viu centenas de silures parados e de olhos arregalados, olhando de um lado para o outro, como se procurassem algo. Seus rostos pintados de vermelho expressavam mais do que surpresa.

Demonstravam medo, abandono e vulnerabilidade.

O comandante da Segunda Legião Augusta sorriu ao ordenar um novo ataque.

#

Belisário sorvia o vinho da taça. Sozinho em seu alojamento no forte de Glevum, ele escutava a comemoração dos legionários no pátio, agora satisfeitos depois da tomada de Drwgg, três dias atrás. Era verdade que as baixas entre os romanos foram maiores do que esperado, mas Belisário sabia que a derrota daquele clã de silures soaria bem em Roma, trazendo-lhe recompensas a médio prazo. Talvez até mesmo uma nomeação como procônsul.

O comandante pousou a taça na mesa e percebeu que não estava sozinho. Do outro lado do cômodo, um desconhecido vestido de negro o olhava.

Belisário tentou se mover, mas não conseguiu. As palavras estancaram na garganta.

A única coisa que ele podia fazer era observar o homem – uma teia de cicatrizes cobrindo a sua pele escura desde o crânio pelado até a mandíbula saliente – aproximar-se sem pressa. O estranho encostou os lábios no ouvido de Belisário.

- Obrigado – disse, a voz grave como um trovão. – Eu já estava cansado desse clima úmido.

Um berro soou lá fora. Belisário sentiu o corpo obedecer-lhe mais uma vez e, com um salto, agarrou sua espada.

Mas o quarto estava vazio.

Um tumulto começava no pátio. Ele correu e viu Ambrósio debatendo-se no solo, saliva escorrendo pelo queixo e gritando palavras desconexas:

- Azathoth, Yog-Sothoth, Nyarlathotep, Shub-Niggurath, Cthulhu! – Ao ver o comandante, ele o agarrou pelos ombros e concluiu numa voz trêmula – Você tem ideia do que fez a Roma?

E dizendo isso, Ambrósio soltou um uivo doloroso.

Belisário engoliu em seco: o sacerdote enlouquecera.

Aquilo não era um bom sinal.

(conto originalmente publicado na Scarium nº 21- Especial Lovecraft)

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Lançamento de O Baronato de Shoah

Publicado por Marcelo Augusto Galvão em 02/04/2011

Amanhã, dia 03/04, tem lançamento do livro de estreia de José Roberto Vieira pela Draco.

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